Ex-subsecretário que atropelou 5 é indiciado por homicídio 

O inquérito policial sobre o caso do ex-subsecretário estadual de Governo da Região Metropolitana Alexandre Felipe Vieira Mendes, concluído nesta quarta-feira, acusa o ex-coordenador da Lei Seca de homicídio com dolo eventual (quando são assumidos os riscos da conduta), omissão de socorro e lesão corporal. Mendes atropelou cinco pessoas no último dia 25 de agosto, sendo que uma delas não resistiu aos ferimentos e morreu. Mendes pode ficar de seis a 20 anos preso se for condenado pelo crime de homicídio.

De acordo com a assessoria do Ministério Público, o promotor Cláudio Calo analisa a documentação e solicitou uma complementação pericial. Além disso, o representante do MP pediu mais informações ao Departamento Estadual de Trânsito (Detran-RJ) sobre o histórico do motorista. Alexandre foi exonerado do cargo de subsecretário quatro dias após a suspeita de envolvimento no atropelamento em Itaipu, Niterói, depois de sair de uma festa. Uma das pessoas atingidas, o pedreiro Ermínio Cosme Pereira, 56 anos, morreu. Alexandre só perdeu o cargo no dia em que veio à tona o uso irregular de reboque da Operação Lei Seca para retirar sua Pajero do local do crime.

Também foi exonerada Eloisa Helena Souza da Silva, coordenadora de equipe que autorizou a ida do reboque. O carro de Alexandre, que foi coordenador da Lei Seca até fevereiro, foi retirado do local antes de passar por perícia. Na época, o delegado da 81ª DP (Itaipu), Alexandre Leite, já cogitava a hipótese da acusação de homicídio doloso. "É certo que ele vai responder por homicídio, mas vou aguardar os depoimentos das testemunhas e laudo da perícia para decidir se será doloso ou culposo (sem intenção)", explicou.

Agravantes como ter fugido do local do acidente, sem prestar socorro aos feridos, e demorado 16 horas para fazer o exame clínico que poderia atestar embriaguez serão levados em conta na decisão. O teste no Instituto Médico-Legal (IML) deu negativo para excesso de ingestão de álcool, mas só foi realizado muitas horas depois do incidente. Alexandre admitiu que bebeu meia taça de vinho antes de dirigir. Após o acidente, ele se trancou no carro para não ser linchado.

Uma das vítimas do atropelamento, Silvana Braga de Souza, 30 anos, reafirmou ao delegado que o carro do ex-subsecretário estava em alta velocidade, em zigue-zague, e que Alexandre não prestou socorro. "Quero que ele pague pelo que fez de alguma forma", exigiu. Ao ser atingida pelo veículo, ela desmaiou e bateu com a cabeça no chão. "Quando acordei, achei que meu filho estava na ferragem. Só vi o mais velho. Escutei o Gabriel pedindo socorro, gritando desesperado. Tirei força não sei de onde para ajudá-lo. Acho que foi amor de mãe", disse.

O advogado de Mendes, José Maurício Ignácio, disse que o ex-integrante do governo estadual está hospedado na casa de parentes e ainda bastante traumatizado com o acidente. Segundo o defensor, o cliente tem tomado remédios para hipertensão e vai passar por uma série de exames cardíacos.