Despoluição da Baía de Guanabara entra em pauta, mas não sai do papel

O Rio de Janeiro se mobiliza para discutir qual será o legado deixado pelos mega eventos esportivos que a cidade irá receber até 2016. O grande problema é que muitos projetos, como a despoluição da Baía de Guanabara - que abrange não só a capital, mas também cidades do interior -, ainda não saíram do papel. O assunto passou a fazer parte da agenda da Comissão da ALERJ (Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro), que cuida do legado que será deixado.

O impacto ambiental é um dos fatores preocupantes para o presidente da comissão especial de fiscalização e acompanhamento do legado da Copa 2014 e Olimpíadas 2016, o deputado estadual carioca Nilton Salomão (PT). O político realizou nesta tarde, na ALERJ, uma audiência pública para discutir o andamento do projeto de Despoluição da Baía de Guanabara.

"Precisamos ter um entendimento melhor com a Secretária de Esportes do Estado do Rio de Janeiro, Márcia Lins. A secretaria vem se mostrando pouco receptiva com o nosso trabalho, e pouco tem colaborado com a comissão. Até marcar reuniões com a Márcia Lins está sendo difícil", criticou Salomão.

No debate, estavam presentes o relator da comissão, o ex-jogador de futebol e deputado estadual Bebeto (PDT), a deputada estadual Aspásia Camargo (PV), o coordenador executivo do PSAM (Programa de Saneamento Ambiental dos Municípios do Entorno da Baía de Guanabara) Gelson Serva, e o coordenador de recursos hídricos do Rio de Janeiro, Alexandre De Bonis.

De acordo com o coordenador do PSAM, para a execução da obra, serão investido US$ 640 milhões (R$ 1,169 bilhão), sendo US$ 452 milhões (R$ 825 milhões) com recursos do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), e US$ 188 milhões (R$ 343 milhões) do Governo do Estado do Rio de Janeiro.

"De janeiro até agora, fizemos todo o processo de estruturação deste programa. E agora, no final de julho, o BID aprovou. Agora vamos entrar em negociação com o Governo Federal para fecharmos o contrato para a execução das obras. O que pretendemos fazer até o final do ano, antes do recesso do Senado".

Já para a deputada Aspásia Camargo, é preciso que exista um cronograma de resultados e não somente de obras.

"É preciso saber o que já temos e o que está faltando. E que os trabalhos sejam mais transparentes. Precisamos saber em que estágio estão todos os projetos referentes à Copa do Mundo e às Olimpíadas de 2016. Também acredito que as secretárias de esporte, turismo, cultura e lazer precisam trabalhar de forma integrada, para que todas as melhorias que esses mega eventos vão trazer para a cidade, beneficie a todos".

Para o deputado estadual e ex-jogador de futebol Bebeto, é preciso evitar a imigração dos atletas brasileiros para outros países a fim de buscar melhores condições de treinamento.

"Sempre houve dificuldades no Brasil de se formar atletas. Essa área eu conheço bem, já que sempre fiz parte do meio. Mas precisamos evitar que os atletas precisem sair do Brasil para se prepararem melhor. O nosso País é um celeiro de grandes atletas e precisamos dar melhores estruturas para que eles permaneçam aqui. E só vamos conseguir isso com aparelhos modernos, águas limpas, sem poluição no nosso ar e uma política forte voltada para os profissionais e a garotada que esta começando".

Já o coordenador de recursos hídricos, Alexandre De Bonis, afirmou que além do trabalho efetivo de despoluição, a prefeitura da cidade vem realizando um trabalho de conscientização da população que vive no entorno das baias, rios e lagoas da cidade.