ONG ergue cruz de 3 m para lembrar juíza assassinada no RJ

Moradores de Niterói (RJ) e integrantes da ONG Rio de Paz voltaram a realizar neste sábado manifestações para lembrar o assassinato da juíza Patrícia Cacioli, na praia de Icaraí. Uma cruz de 3 m de altura foi erguida no local, onde também foram deixadas flores e velas. Atos em memória da magistrada ocorreram ontem e durante a manhã de hoje.

"Queremos criar no País esta cultura para que não haja omissão. Não foi apenas uma morte, mas sim um atentado contra o Estado. Uma tentativa de silenciar uma voz rara no Brasil", disse o presidente da ONG, Antônio Carlos da Costa. Segundo ele, não apenas ativistas estão sensibilizados com o assassinato, mas também moradores da região. "Em um contexto de tanta corrupção, é muito difícil achar pessoas com coragem. É uma grande perda para sociedade."

A ONG pretende realizar uma nova manifestação na segunda-feira , em São Gonçalo, onde Patrícia era juíza. A idéia é reunir centenas de pessoas amordaçadas para simbolizar a tentativa de calar a voz de quem combate o crime organizado.

Juíza estava em "lista negra" de criminosos

A juíza Patrícia Lourival Acioli, da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, foi assassinada a tiros dentro de seu carro, por volta das 23h30 do dia 11 de agosto, na porta de sua residência em Piratininga, Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Segundo testemunhas, ela foi atacada por homens em duas motos e dois carros. Foram disparados pelo menos 15 tiros de pistolas calibres 40 e 45, sendo oito diretamente no vidro do motorista.

Patrícia, 47 anos, foi a responsável pela prisão de quatro cabos da PM e uma mulher, em setembro de 2010, acusados de integrar um grupo de extermínio de São Gonçalo. Ela estava em uma "lista negra" com 12 nomes possivelmente marcados para a morte, encontrada com Wanderson Silva Tavares, o Gordinho, preso em janeiro de 2011 em Guarapari (ES) e considerado o chefe da quadrilha. Familiares relataram que Patrícia já havia sofrido ameaças e teve seu carro metralhado quando era defensora pública.