Casal rendido por bandido que fugiu de ônibus sequestrado será ouvido nesta quinta-feira 

Como parte das investigações desencadeadas depois do sequestro de um ônibus da Auto Viação Jurema, na noite de terça-feira, agentes da 6ª DP (Cidade Nova), colherão, nesta quinta-feira, o depoimento do casal que foi sequestrado em seu carro pelo assaltante Clerivan da Silva Mesquita, o quarto integrante da quadrilha, que continua foragido. 

Segundo a distrital, a intenção é saber como o bandido agiu desde o momento em que foram rendidos, até o momento em que foram soltos, nas imediações da Favela de Manguinhos. A polícia também quer que o casal explique se o criminoso baleou alguém quando deixou o coletivo.

A polícia aguarda ainda o laudo da perícia para saber de que calibres são os tiros que atingiram o ônibus e se são os mesmos das armas dos PMs. Agentes continuam a fazer buscas ao quarto criminoso que assaltou o veículo e está foragido.

O crime

Durante entrevista coletiva, na tarde desta quarta-feira, o comandante geral da PM, Mário Sérgio Duarte, admitiu que os policiais militares envolvidos na ação quebraram o protocolo da corporação ao atirar contra a lataria do ônibus.  No entanto, ele alega que os PMs atiraram contra o ônibus para furar os pneus do veículo. Ainda segundo Mário Sérgio, os tiros só foram disparados depois que os marginais furaram o bloqueio feito pela polícia. 

"Nós sabemos que o protocolo da PM diz que só se pode atirar em legítima defesa. No entanto, se os PMs não tivessem atirado nos pneus do ônibus, a ação poderia não ter tido êxito", disse Mário Sérgio. "Se tem pessoas inocentes feridas, houve erros, não há dúvidas. No entanto, só a perícia vai dizer se os tiros que feriram os passageiros foram feitos por policiais ou bandidos", declarou o oficial, antes do laudo preliminar ser divulgado.

O comandante garantiu que as armas dos policiais que dispararam contra o ônibus já foram recolhidas por investigadores da 6ª DP e vão passar por exames. Segundo ele, o ferimento de Liza Monica Pereira foi feito, segundo um cirurgião do Hospital Municipal Souza Aguiar, de cima para baixo, e que pode ter sido provocado pelos marginais.

Vítimas

Dentre os seis feridos no sequestro, o caso de Liza Monica Pereira, que foi baleada no tórax e está em estado grave, é o que inspira mais cuidados. Ela segue  no Centro de Terapia Intensiva do Hospital Souza Aguiar,no Centro, e não há previsão de alta. 

Atingido no pescoço, Alcir Pereira, de 56 anos, está em observação na enfermaria na mesma unidade de saúde. Seu estado, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, é estável. Fabiana Gomes da Silva, de 30 anos, passa bem. Ela levou um tiro nas nádegas. Um homem, cuja identificação ainda não foi divulgada, foi atingido de raspão na perna, mas como o ferimento não era grave, ele já foi liberado do hospital. 

Um policial militar, que estava num ponto de ônibus durante o sequestro, também ficou ferido durante a ação. Ele foi atingido na perna e desde a madrugada continua internado no Hospital Central da Polícia Militar, no Estácio (Zona Norte).