Capela destruída por incêndio em prédio histórico da UFRJ começa a ser recuperada

Rio de Janeiro - Quase dois meses depois do incêndio que destruiu parte do histórico prédio da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) na Praia Vermelha, zona sul do Rio, começou esta semana a primeira fase das obras de reconstrução da Capela São Pedro de Alcântara, a parte mais danificada pelo fogo no último dia 28 de março. No entanto, a restauração completa de todo o conjunto arquitetônico, datado do século 19 e tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), demandará mais duas etapas, que incluem a elaboração de um projeto e a captação de recursos para as obras, avaliadas em R$ 22 milhões.  

Executada com recursos da própria universidade, a primeira fase consiste no escoramento emergencial das bases da capela e no processo de coleta de material  entre os escombros, solicitado à universidade pelo Iphan. “Nós não podemos simplesmente remover o entulho. É preciso catar para ver o que aparece ainda de aproveitável ou mesmo de identificação do material que foi usado na construção da capela”, afirma a professora Beatriz Resende, coordenadora do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ.

O fórum ocupa toda a ala central do chamado Palácio Universitário. A capela, no último andar dessa ala, fica sobre o Auditório Anísio Teixeira e está cercada por outras duas áreas importantes do palácio, os salões Dourado, onde se encontra uma estátua de Dom Pedro II jovem e sem barba, Vermelho e Moniz de Aragão. Em todos eles se desenvolvem as atividades acadêmicas do Fórum de Ciência e Cultura da universidade.

A recuperação desses salões será feita na segunda etapa das obras, com a metade dos R$ 4 milhões já assegurados à UFRJ pela prefeitura do Rio. A outra metade, segundo Beatriz Resende, será empregada na elaboração do projeto executivo de restauração, em duas partes: a primeira, da capela, e a segunda, do próprio palácio.

Somente após a conclusão dessas duas etapas, o que está previsto para daqui a seis meses, é que terá início a restauração propriamente dita. Quando ocorreu o incêndio, a UFRJ já tinha dado entrada no Ministério da Cultura, por meio do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), a um projeto de restauração do prédio.  “O problema que passamos a enfrentar, e para isso temos contado com a ajuda do Iphan, é que o projeto inicial era de restauro, mas depois do incêndio, passou a ser também de reconstrução. Acredito que não haverá problemas para essa adequação, estima Beatriz Resende.