Braço do Comando Vermelho em Teresópolis é desarticulado

 

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou à Vara Criminal de Teresópolis, na Região Serrana, dez integrantes da facção criminosa Comando Vermelho que agia no Morro do Perpétuo. Atendendo a requerimento do MPRJ, a Justiça determinou a prisão preventiva dos denunciados e a realização de buscas em 12 endereços. Para cumprir os mandados, foi colocada em ação, nesta quarta-feira, a Operação Invasor. Sete pessoas já foram presas, e fora, apreendidos R$ 30 mil, um revólver, uma pistola, uma carabina, seis carregadores, munição, celulares e livros contábeis, apreendidos.

Dos dez denunciados com mandados de prisão expedidos, seis foram capturados em casa, no bairro São Pedro. Dois já estavam presos, e um, Angelo Franco, foi flagrado com uma arma e carregadores. As prisões foram feitas por policiais do Grupo de Apoio aos Promotores (GAP) do MPRJ e do 30º BPM (Teresópolis), com apoio do setor de cães do 11º BPM (Friburgo). 

Os Promotores de Justiça Fabio Miguel de Oliveira e Décio Alonso Gomes denunciaram os integrantes da quadrilha pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico, corrupção de menores e porte ilegal de arma.

“Os órgãos de segurança e o Gaeco vêm apresentando a resposta necessária à tentativa de ramificação do Comando Vermelho, que tenta se estabelecer na Região Serrana do Rio”, enfatizou o Promotor de Justiça Décio Alonso Gomes.

Durante as investigações, o grande volume de dinheiro movimentado pela quadrilha chamou a atenção do MP. Em conversas telefônicas gravadas com autorização da Justiça, os criminosos mencionam R$ 96 mil. Por conta disso, O Gaeco requereu, e a Justiça determinou, o bloqueio de todas as contas em nome dos denunciados e seus supostos laranjas.

Bangu III

O bando preso nesta quarta-feira era comandado de dentro da Penitenciária Gabriel Ferreira Castilho (Bangu III), pelo traficante Leonardo Carreira da Silva, o Rato. O grupo da mesma facção criminosa, que atuava no Morro da Fonte Santa, em Teresópolis, denunciado em abril, também era chefiado por um detento. Em ambos os casos, a droga comercializada era proveniente do Rio de Janeiro. Diferentemente do bando que atuava na Fonte da Saudade, esta quadrilha tinha a participação de adolescentes da Favela do Jacarezinho, no Rio.

Mesmo condenado por homicídios, porte ilegal de arma de fogo, furto qualificado, associação para o tráfico e tráfico de drogas, Leonardo Carreira da Silva controlava as diversas atividades dos comparsas, como contabilidade, negociação com fornecedores, comércio de maconha e cocaína, recrutamento de “soldados” e execuções de inimigos, mandando recados por meio de aliados que iam visitá-lo.

Abaixo dele, Jonatas de Souza Pereira (o Porca Russa) comandava os traficantes e era responsável pelo recebimento, refino e distribuição dos entorpecentes vindos do Rio. Manoel Carlos da Silva (o MN) e Wellington da Silva Pereira (o WL) exerciam funções de gerência.

Também ficou evidente para os Promotores a ostensiva utilização e comercialização de armas, feita por Porca Russa e Natanael Fernandes Carregosa, este último preso na Cadeia Pública Romeiro Neto, em Magé.

‘Tias’

A quadrilha que agia no Morro do Perpétuo também tinha a participação de mulheres, as chamadas “tias do tráfico”. Elas apoiavam as atividades criminosas no transporte e armazenamento de drogas, armas e dinheiro. Identificadas pelo inquérito da 110ª DP, foram denunciadas Daniela de Souza Santos (a Dani), braço-direito de Rato; Jéssica da Silva Vaz, companheira de Porca Russa; Marília Florenço de Mello e uma mulher identificada apenas como Rose, cunhada de Rato. Também foi denunciado Luís Augusto Felix Soares (o Tarugo).

Wellington e Marília estão foragidos. Os demais foram conduzidos à 110ª DP e serão transferidos para a Polinter.