Jobim visita Complexos do Alemão e da Penha, dois dias após morador ser morto

Rio de Janeiro – O Ministro da Defesa, Nelson Jobim, visitou nesta sexta-feira (6) os Complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio, para acompanhar a operação do Exército nas comunidades. A visita ocorre dois dias depois de um morador da favela Nova Brasília, no Complexo do Alemão, ser morto com cerca de 20 tiros de pistola.

Jobim informou que a investigação do caso é de competência da polícia. “A capacidade policial do Exército é de subsidiar a polícia. Investigações de natureza criminal são exclusivamente da polícia civil ou militar estadual”.

A Força de Pacificação que atua no Complexo do Alemão desde dezembro do ano passado, está sob o comando do 9º Batalhão de Infantaria do Exército e, segundo o relações públicas da unidade, major Marcos Bouças, o assassinato do jovem foi um caso isolado. Ele disse que desde que o Exército ocupou a região, em dezembro passado, o clima no local é de tranquilidade. “A população tem nos ajudado muito. Confiam na gente. Muitos vêm até aqui no comando fazer denúncias e colaborar com o exército”.

O Major explicou que as apreensões de drogas continuam, assim como a detenção de usuários e traficantes em flagrante, mas sem uso ou presença de armas. Desde fevereiro, quando a 9ª Brigada assumiu o comando das Forças de Pacificação já foram detidas oito pessoas e apreendida pequena quantidade de drogas, segundo o Major.

Nelson Jobim fez um sobrevoo da região e ouviu uma palestra sobre a operação logística da atuação das Forças de Pacificação. Esta é a segunda visita de Jobim ao local desde a ocupação do Exército. A primeira foi no início do ano, na inauguração de uma agência do Banco do Brasil na comunidade.

As vinte favelas que compõem o Complexo do Alemão e da Penha estão ocupadas por cerca de 1,7 mil homens do Exército e 200 homens das polícias civil e militar.

De acordo com a Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro, a primeira unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Alemão deve ficar pronta até setembro deste ano. A ideia é criar dez unidades de pacificação para atender as mais de 300 mil pessoas que vivem nas comunidades e no bairro da Penha.

“O cálculo que havia sido feito inicialmente era a saída das Forças Armadas entre setembro e outubro, e a agenda segue este cronograma. Mas uma coisa é certa, só sairemos daqui no momento em que for possível sair. Ou seja quando as UPPs estiverem prontas”, garantiu o ministro.

O Complexo de Favelas do Alemão e da Penha já foi uma das regiões mais violentas do Rio. Em novembro passado, a polícia expulsou o tráfico de drogas e ocupou os complexos. O lugar passa por uma série de obras do Programa de Aceleração do Crescimento, como construção de condomínios, escolas, teleféricos para facilitar a locomoção entre os morros, pavimentação de ruas entre outras melhorias.