Ministério Público denuncia quadrilha que fraudava compra de material médico em hospital no Méier

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, por intermédio do Titular da 17ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal da 1ª Central Inquéritos, Promotor de Justiça Alexandre Murilo Graça, denunciou, sexta-feira (25), médicos e funcionários do Hospital Municipal Salgado Filho, localizado no Méier, Zona Norte do Rio. No total, 14 pessoas, dentre elas representantes das Empresas Extencion Comercial e CM Cirúrgica, foram denunciadas por formação de quadrilha e outros crimes contra a Administração Pública. 

Segundo investigação da Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Saúde Pública, o esquema fraudulento era liderado pelo Chefe do Serviço de Neurocirurgia, Carlos Henrique Ribeiro, desde 2004. O neurocirurgião teria aliciado outros médicos e funcionários do hospital para participarem da fraude. 

De acordo com a denúncia do MP, eles fraudavam as guias de compra do material utilizado em procedimentos médicos, dizendo que usavam produtos que, na verdade, não usavam. Além disso, os denunciados utilizavam material em quantidade menor que a relatada ou com qualidade inferior à descrita nas guias. A diferença de valor era embolsada pelos participantes do esquema. 

Já a empresa Extencion emitia notas fiscais frias, enquanto que a CM Cirúrgica vendia  equipamentos mais caros e entregava outros mais baratos. Com a quebra do sigilo telefônico, os envolvidos foram flagrados fazendo a contabilidade das fraudes executadas. 

O grupo discutia a quantidade de material realmente gasto, o valor lançado a mais nas guias, a parte que seria repassada aos médicos e funcionários e quanto e quando a Prefeitura do Rio efetuaria o pagamento. Também debatia novas maneiras de fraudar os cofres públicos e de como fazer parar atrair outras empresas para o esquema. 

O MP constatou ainda que exames, como angiografia – um tipo de visualização do coração e dos vasos sanguíneos –, além de outros, faziam parte do esquema fraudulento. O valor das fraudes no Salgado Filho apurado pelo Ministério Público até o momento chega a R$ 7 milhões.