Caso Joanna: diarista confirma que viu a menina amarrada no closet

A diarista Gedires Magalhães de Freitas confirmou hoje (10) ao juiz Guilherme Schilling Pollo Duarte, titular do 3º Tribunal do Júri da capital em que condições encontrou a menina Joanna, 5 anos, no apartamento do pai. A ex-empregada dos réus afirmou ter visto Joanna  com pés e mãos amarrados com fita crepe, suja de urina e fezes em um colchonete no closet do casal.  A menina morreu em 13 de agosto do ano passado vítima de meningite, contraída através do vírus da herpes. 

André Rodrigues Marins e Vanessa Maia Furtado, pai e madrastra da menina, são acusados de tortura com dolo direto e homicídio qualificado por meio cruel contra a menina Joanna Cardoso Marcenal Marins. Ambos negam o crime

Gedires, segunda testemunha a depor, relatou que, durante as duas semanas em que trabalhou na residência de André e Vanessa, somente viu Joanna nos três primeiros dias.  Sendo que só presenciou as "anormalidades" em seu primeiro dia de trabalho no local. Segundo ela, o pai era quem cuidava de Joanna, dando-lhe inclusive banho.  A ex-empregada informou, ainda, que quando foi entrevistada para o trabalho, "Dona Vanessa disse que havia uma criança especial na casa, que fazia suas necessidades na roupa".

A ex-diarista do casal afirmou que nunca viu Joanna ser alimentada, tendo visto somente as duas filhas dos réus fazerem refeições. Gedires disse também que não chegou a ver a menina brincar como as outras, uma vez que nos outros dois dias Joanna esteve sempre no sofá, doente e com ar tristonho. Ela apenas ouviu a menina dizer que sentia saudades da avó e que o pai prometera que a levaria para visitá-la.

No depoimento, a ex- empregada afirmou que ligou duas vezes para o Disque-Denúncia, antes e depois de ser demitida da casa dos acusados, para relatar os fatos que presenciara. Mas afirmou que não sofreu ameaças de seus ex-patrões.

O juiz Guilherme Schilling ouvirá ainda hoje outras seis testemunhas da acusação, dentre elas o delegado que presidiu o inquérito policial, Luiz Henrique Pereira.

Relembre o caso

Joanna morreu no início da tarde de 13 de agosto de 2010, no Hospital Amiu, em Botafogo, na zona sul, onde estava internada em coma desde o dia 19 de julho. Segundo o hospital, a menina sofreu uma parada cardíaca.

A menina foi internada no CTI do hospital da zona sul com um edema cerebral, hematomas nas pernas e sinais de queimaduras nas nádegas e no tórax, segundo parentes. A suspeita era que ela teria sido espancada e torturada pelo pai. O caso foi levado para a Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (Dcav).

Na investigação, a polícia descobriu que a menina havia sido atendida em outro hospital, o Rio Mar, na zona oeste, onde um falso médico teria dado alta a ela quando ainda estava desacordada. Ele foi identificado como um estudante do 5º período de Medicina.

Em depoimento, o estudante afirmou que havia sido contratado por Sarita Pereira, que teria uma clínica que prestava serviços ao Rio Mar. Ainda segundo a polícia, Souza afirmou que a mulher forneceu a documentação e o carimbo com nome e a inscrição no Conselho Regional de Medicina (CRM) de um médico para que ele usasse nos atendimentos.