Agências de inteligência se integram para combater o crime

Fim de novembro. Dois mil e setecentos homens fardados estavam prontos para dar início à operação policial que entrou para a história do Rio de Janeiro: a retomada da Vila Cruzeiro, na Penha, e do Complexo do Alemão, em Bonsucesso, na Zona Norte da cidade. Antes, durante e depois das ações, agentes especiais se reuniam no terceiro andar da sede da Secretaria de Segurança, na Central do Brasil, para ajudar o Estado a elaborar sua política de enfrentamento, surpreendendo centenas de criminosos e levando paz às comunidades. A Subsecretaria de Inteligência coordena centenas de operações para dar fim a crises como às do último mês. O Governo do Estado já estava preparado para combater situações como incêndios a veículos e arrastões. Normalmente, a agência de inteligência da Secretaria de Segurança analisa as informações que chegam e repassa para outras unidades, que enviam para a área operacional. No caso do planejamento de missões policiais nas comunidades da Penha e Bonsucesso, a subsecretaria decidiu centralizar os serviços e agilizar o processo. - O Rio de Janeiro tem várias agências de inteligência e a Subsecretaria de Inteligência é a cabeça, fazendo o fluxo da informação, que nasce e depois é processada e difundida. As informações que comprometem a segurança dos cidadãos fluminenses precisam ser checadas na mesma velocidade com que chegam. É uma corrida contra o tempo para que o sucesso de operações policiais seja garantido. Por isso, montamos uma central - esclareceu o subsecretário de Inteligência, Rivaldo Barbosa. O Centro de Gerenciamento de Crises criado na sala 322 para investigar, coletar dados e monitorar ligações telefônicas para enfrentar a onda de crimes ainda está em funcionamento. O plantão de 24 horas foi reduzido para 12, mas o trabalho dos especialistas não para. Doze órgãos ficam atentos a cada denúncia recebida. São agentes da Subsecretaria de Inteligência, das polícias Militar, Civil, Rodoviária e Federal, da Secretaria de Administração Penitenciária, da Marinha, do Exército, da Aeronáutica, da Guarda Municipal, do Disque-Denúncia e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). - Nós estamos nos integrando desde o dia 21 de novembro, quando os ataques a veículos começaram e muitos avisos começaram a chegar. Normalmente, trocamos informações com todos os órgãos envolvidos na central especial. O que fizemos foi trazer todas essas pessoas para um mesmo espaço. Ainda não é previsão para que o nosso centro seja desmontado. Quando o trabalho terminar, todos os profissionais retornarão às suas bases e nós continuamos com o nosso dever - afirmou Rivaldo Barbosa. A população no serviço de inteligência A população tem sido a fonte mais importante da Subsecretaria de Inteligência em episódios como os dos últimos dias. Através de informações passadas pelo Disque Denúncia (2253-1177), os cidadãos se juntam às forças policiais para ajudar a localizar bandidos. O serviço quebrou o recorde de denúncias cadastradas. Do dia 21 de novembro a 9 de dezembro, foram registrados 12.683 telefonemas. Para um dos quatro atendentes do Disque Denúncia, que está na central de crise, as informações têm sido essenciais para que a polícia cumpra sua missão. - A população tem ligado muito. Os denunciantes estão dando dados mais concretos sobre a localização dos bandidos que fugiram, arsenais e esconderijo de drogas. As ligações diminuíram, mas estão com mais qualidade do que no início da ação policial. Denúncias sobre atentados, considerando queima de ônibus, planejamento e retaliação a polícia, somam mais de cinco mil. O acumulado de tráfico de drogas nesse mesmo período foi de 8.167 - contou o atendente, que não pode ser identificado.