Artesãs do Cantagalo/Pavão-Pavãozinho expõem trabalhos no metrô

RIO - Tudo começou em meio às obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) quando um conselho, formado por líderes comunitários do morro do Cantagalo/Pavão-Pavãozinho, membros do Governo Federal, entre outros grupos sociais, deu início à tentativa de pensar e repensar maneiras de atender às necessidades dos moradores. Antônia Ferreira Soares, sendo líder comunitária do Pavão-Pavãozinho, onde se instalou ao chegar do estado do Maranhão, ainda na década de 70, participou ativamente das discussões propostas até que, se associando com outras pessoas, formou a ONG Museu de Favela (Muf). Artesã nas horas vagas, a moradora se reuniu com outras talentosas mulheres e começou a mostrar seu trabalho realizado com material reciclado. As peças estão sendo vendidas em um quiosque localizado dentro da estação do metrô, na Praça General Osório, em Ipanema.

Entre os sucessos comercializados até dia 17 de dezembro estão árvores de Natal feitas de fuxico, guirlandas natalinas, porta-retratos de papelão reciclados e pintados à mão, blusas customizadas com telas pintadas em arte naif e embaladas para presente em garrafas pet, além de agendas com acabamento de papel de revistas, flores de tecido para o cabelo, entre muitos outros produtos.

- Temos toalhinha, blusa com aplicação de fuxico, material para Natal, árvores de fuxico; ontem mesmo coloquei três no quiosque e todas foram vendidas; temos guirlandas também de fuxico. Temos os porta-retratos de papelão, faço caixinha, uso vidro de geleia, faço porta-chave, flores para cabelo, broches de retalho. Fazemos tudo com muito carinho e grande prazer - diz Antônia.

A proposta do Museu de Favela é estabelecer uma grande rede formada por trabalhadores de vários ramos. Além desta rede, a intenção é divulgar a comunidade. Quem visita o Cantagalo/Pavão-Pavãozinho pode ser recebido por uma guia que levará o turista a conhecer a vida dos moradores e visitar a casa de quem vive ou consegue uma renda extra com artesanato, por exemplo.

- Foi surgindo a ideia de se criar uma instituição que resgatasse a história da comunidade, que desenvolvesse a cultura em seu interior. Então, decidimos fazer um museu a céu aberto, e este museu seria toda a comunidade. Eu sou peça deste grande museu, minha casa também, as ruas, vielas. Eu, como liderança comunitária, sou uma das fundadora da ONG. A ONG é dividida em núcleos. Como já mexia com artesanato, nos juntamos a um grupo de Corte e Costura. A rede agrega costureiras, garçons, cabeleireiros, manicures. Amanhã, você, por exemplo, quer fazer uma festa na sua casa e precisa de cozinheira, eu posso te indicar alguém da rede – conta Antônia.