Rio: jovem baleado em Parada Gay presta depoimento

Rio - O jovem baleado após a Parada Gay do Rio, Douglas Igor Marques, 19 anos, chegou na 14ª delegacia de Polícia Civil do Leblon, na Zona Sul, para depor junto de quatro pessoas. Todos presenciaram a agressão ocorrida na madrugada de segunda-feira. Uma das testemunhas, um jovem de 16 anos, disse que presenciou o militar atirando em Douglas.

De acordo com ele, o agressor estava fardado e abordou o grupo quando eles estavam próximos às pedras do Arpoador, em Ipanema. Ele contou que o agressor disse: "Vocês são uns veadinhos. São uma vergonha para a família de vocês.". Ao dizer isso, segundo a testemunha, ele teria atirado contra a barriga de Douglas.

"Aconteceu o que não era para acontecer. Fomos vítima de preconceito. Esperamos justiça", disse o jovem, que também presta depoimento sobre o caso.

A Polícia Civil do Rio também convocou o oficial do Exército que estaria servindo no momento da agressão. O Comando Militar do Leste (CML) divulgou nota negando envolvimento. No texto, o Exército afirma que não há registro de "nenhum disparo de arma de fogo por militares de serviço no Forte de Copacabana". Ainda de acordo com a nota, a área não é administrada pelo forte e, por isso, não há patrulhamento externo fora da área militar.

Após ser baleado, Douglas foi levado por policiais do 23° BPM (Leblon) para o Hospital Miguel Couto, na Gávea. O caso foi registrado na 14ª DP (Leblon). 

Para a mãe do rapaz, uma universitária que se identificou apenas como Viviane, de 37 anos, o caso é de discriminação porque Douglas e os amigos são gays. "Ele estava nas pedras do Arpoador com amigos quando foi abordado por preconceito", afirmou. A família teme sofrer represálias dos supostos envolvidos.

Viviane contou que três militares fardados, supostamente lotados no Forte de Copacabana, foram ao local e mandaram os frequentadores, a maioria homossexuais, saírem. Douglas acabou sendo preso por eles. O estudante do 3º ano do ensino médio contou para a mãe que os militares pediram a identidade dele e um telefone para entrar em contato com a família. Eles ainda perguntaram se os pais de  Douglas sabiam onde ele estava e que ele é homossexual. Ao responder que a mãe sabia que ele é gay, um dos militares teria dado um soco no rosto do rapaz e depois feito o disparo.