Rio sem Homofobia registra 600 denúncias de agressões em 12 meses

Grupo Arco-Íris diz que Forças Armadas carregam "as tintas de um militarismo intolerante e violento aos LGBT"

 

RIO -  O programa Rio sem Homofobia já registrou 600 denúncias de agressões apenas nos últimos 12 meses. Ao todo, 2 mil ocorrências de violência contra homossexuais foram contabilizadas no período. Dessas, três em cada dez são casos de homofobia, como constrangimento, agressões verbais e físicas. Os números foram divulgados depois que Douglas Igor Marques Luiz, de 19 foi baleado após a Parada Gay, realizada no último domingo (14) em Copacabana. Os dados foram levantados através de denúncias feitas à polícia e a instituições de defesa dos direitos humanos.

O Rio é o primeiro estado do país a incluir a homofobia como possível motivo de agressão no registro de ocorrências em todas as delegacias legais.

Ontem, o presidente do Grupo Arco Íris de Cidadania LGBT, Julio Moreira, divulgou nota oficial em que reivindica investigação rigorosa do caso do rapaz baleado. 

O Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT reivindica investigação rigorosa do caso do menino Douglas, 19 anos, que foi baleado na barriga após a 15ª Parada do Orgulho LGBT-Rio, ocorrida no último dia 14, que reuniu 1,2 milhão de pessoas na orla de Copacabana. Caso fique provado que o disparo realmente foi feito por militares que faziam a ronda no local, como relatam familiares da vítima, o Grupo Arco-Íris cobra punição exemplar ao homofóbico.

Cabe lembrar que as Forças Armadas e todos os operadores de segurança de nosso estado e do país têm por obrigação garantir a segurança e a proteção de todos cidadãos (ãs), independentemente de credo, cor, orientação sexual e identidade de gênero. A Organização também salienta a importância de as Forças Armadas reverem seus códigos militares, que carrega em seus escritos as tintas de um militarismo intolerante e violento aos LGBT.

Este é apenas um caso entre milhares de outros. A cada dois dias, um homossexual é assassinado em virtude de sua orientação sexual. A homofobia é uma questão real; é uma chaga social que precisa ser sanada. Necessitamos o quanto antes que o PLC 122/06, que criminaliza a homofobia no país, seja aprovado pelo Senado Federal. Precisamos de políticas públicas que fomentem a cidadania de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais e combatam à homofobia, principalmente no âmbito da educação, a fim de que novas gerações mais plurais e respeitosas nasçam com novas perspectivas em relação à diferença.

Nota Oficial do Grupo Arco Íris, assinada por Julio Moreira (Presidente do Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT)