No Rio, irmão de PM morto acusa Bope de assassinato

Rio  - O irmão do soldado da polícia militar Eduardo Marcelo Medeiros dos Santos, 28 anos, que morreu na madrugada desta terça-feira após passar mal durante um treinamento do Batalhão de Operações Especiais (Bope), afirmou, durante o enterro do PM, na Zona Oeste do Rio, que Eduardo foi espancado no treinamento.

"Ele apanhou. Isso foi assassinato. Qualquer um pode ver o que foi feito. O rosto dele foi desfigurado", afirmou Flávio Silva Fonseca, irmão do soldado, que é fuzileiro naval e disse conhecer Eduardo desde a infância, apesar reconhecê-lo como irmão apenas na juventude.

A mãe do PM, Rosilene Medeiros do Santos, preferiu não falar sobre responsáveis pela morte do filho, pois, segundo ela, nada o traria de volta. Muito emocionada após o enterro do filho, disse que não concordava com a entrada de Eduardo no Bope e que não sabia que ele estava fazendo o curso preparatório. "Era o sonho dele, nada o impediria".

Segundo o Bope, as acusações de Flávio são precipitadas e é preciso aguardar o laudo dos legistas. "Entendemos a dor da família nesse momento. Encontrar o corpo é doloroso, mas essa não é uma análise técnica. É preciso aguardar o laudo do IML (Instituto Médico Legal)", disse o capitão Ivan Blaz, responsável pela comunicação do Bope.

O capitão ressaltou ainda que Eduardo chegou ao hospital andando e falando. "Inclusive ele queria volta para o treinamento, o Bope não deixou", afirmou.

O major Ronaldo Martins, porta voz da Polícia Militar, também considera prematuro falar sobre as causas da morte. Ele disse que será investigado se Eduardo tomava algum remédio. "O laudo cadavérico vai nos dar essa resposta".

De acordo com o major, foi instaurado um procedimento investigatório que ficará ao cardo do Bope.

Eduardo era lotado no 24° BPM (Queimados) e foi um dos dez melhores colocados no processo de seleção para o Curso de Ações Táticas do Bope. Ele e outros três colegas tiveram sintomas de desidratação e foram levados ao Hospital Central da PM. Os médicos constataram quadro de infecção renal e convulsões.

O policial estava há cinco anos na corporação e deixa um filho de 3 anos.