Mais importante que prender é tirar o território, diz Beltrame

O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, afirmou em São Paulo, que a virtude maior do programa de ocupação de favelas no Rio de Janeiro as Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) não é prender as lideranças criminosas, mas sim, impedir que elas tenham um território livre da ação do Estado. Segundo Beltrame apesar do aumento dos índices de prisões como na Cidade de Deus, onde o índice aumentou cinco vezes, a prisão é uma cosnequência das ocupações, mas não seu principal objetivo. "Prender o Nem (chefe do tráfico na Rocinha) é importante, mas o que mais me interessa é tirar o território dele", disse.

O secretário de Segurança Pública esteve na capital paulista para apresentar o programa das UPP¿s na Conferência Anual de Segurança Pública (Seg Brasil), e os resultados da iniciativa que começou em 2007 com a ocupação do morro Dona Marta, Botafogo, e hoje tem 13 complexos de favelas ocupadas permanentemente pela polícia. A meta é que sejam 40 até 2014, ano das Olímpiadas no Rio de Janeiro. Beltrame afirma que a iniciativa está blindada dos interesses políticos pois é uma política de Estado e não de governo. "Está tudo pronto para que qualquer um que esteja na pasta possa tocar isso", disse.

Beltrame também explicou a mecânica da ocupação que começa com uma ação do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) e depois recebe contingentes de policiais recém formados na Academia de Polícia para atuarem no policiamento comunitário. Entre outras coisas os agentes se integram na comunidade conhecendo os moradores e fazendo parte da rotina, inclusive brincando com as criança e jogando futebol com os moradores. "O BOPE entra vestindo preto e depois coloca camisetas brancas", disse o secretário.

Beltrame reconhece as limitações do programa das UPP¿s e diz que o tráfico não acabou nas favelas falsificadas, apenas diminuiu e ficou menos armado. "É um passo só que se deu", afirmou o secretário. Ele afirma que a maior prova do sucesso da iniciativa é a aceitação das comunidades que foram pacificadas pela polícia e os pedidos de unidades de polícia pacificadora que ele afirma receber todos os dias por email. "Recebo uma pilha de emails todos os dias das comunidades pedindo rapidez no processo de pacificação de suas favelas", concluiu.