Justiça aceita denúncia e nega liberdade a falso tenente-coronel

O Tribunal de Justiça (TJ) do Rio recebeu denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) contra o falso tenente-coronel Carlos da Cruz Sampaio Junior. Ele trabalhava desde junho como coordenador da Subsecretaria de Planejamento e Integração Operacional da Secretaria de Estado de Segurança, e é acusado de porte ilegal de arma.

A polícia prendeu o suspeito no dia 15 de outubro com uma carteira de identidade adulterada do Exército e um revólver calibre 38. Depois da prisão, o falso tenente-coronel disse aos policiais que nunca havia sido oficial militar e que a arma pertence ao seu pai, que integra o Exército.

Para a juíza Maria Tereza Donatti, titular da 29ª Vara Criminal da capital, o currículo do denunciado mostra que ele já exerceu outros cargos na administração pública, "o que revela sua extrema ousadia". Por isso, a juíza decidiu acolher o pedido do MP, indeferiu um pedido de liberdade provisória feito pela defesa e manteve Carlos sob custódia cautelar.

Segundo a denúncia do MPE, Carlos "não só agiu em total desrespeito às leis e ao próprio Estado Democrático de Direito, mas também acabou por exercer tarefas próprias das pessoas possuidoras daquela patente, tais como participar de treinamentos de policiais, ministrar aulas de tiro, comandar operações, dentre outras".

"É certo que ele tem forte poder intimidatório, e a sua soltura poderá comprometer não apenas a instrução deste processo, como ainda a do inquérito instaurado para apuração da prática de outros crimes pelos quais será investigado", afirmou a magistrada.