Juiz ouve seis testemunhas do caso Joanna

     RIO - O juiz do 3º Tribunal do Júri, Guilherme Schilling Pollo Duarte, já começou a ouvir as testemunhas de acusação da médica Sarita Fernandes Pereira e do estudante de medicina Alex Sandro da Cunha Souza, que atenderam no Hospital Rio Mar, Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, a menina Joanna Cardoso Marcenal Marins, morta no dia 13 de agosto. O magistrado acolheu pedido do Ministério Público e desmembrou o processo em relação ao réu Alex Sandro, uma vez que ele está foragido e não foi citado pessoalmente. A audiência continuará no dia 16 de novembro, quando serão ouvidas mais duas testemunhas arroladas pelo MP e as demais de defesa da ré. Ao final dos depoimentos, o juiz negou o pedido de revogação da prisão preventiva da acusada.

O perito médico-legista do Gate (Grupo de Apoio Técnico do MP), Sergio Cunha, primeiro a ser ouvido, disse que o atendimento realizado pela médica Sarita, no dia 16 de julho, foi falho pois, para uma vítima apresentando quadro convulsivo, seria necessário tratamento medicamentoso imediato, para acabar com a crise, seguido de exames neurológicos, a fim de afastar uma hipótese de meningite ou traumatismo craniano, que poderiam levá-la a óbito. “Neste atendimento, a menina deveria ter ficado internada em observação e não liberada como foi”, disse.

Entretanto, indagado pela defesa, o perito descartou a irregularidade no atendimento realizado no dia 15 de julho, por outra médica. Segundo ele, neste dia, a menina chegou ao Hospital de Jacarepaguá com queixas respiratórias e problema no joelho. “A médica fez o exame neurológico devido e, por estar tudo normal, liberou a criança”, explicou.

A mãe de Joanna, a médica Cristiane Cardoso Marcenal Ferraz, em depoimento que durou cerca de duas horas, disse que somente teve notícias da internação de sua filha no dia 19 de julho. Segundo ela, uma amiga do pai da criança ligou para o hospital onde ela trabalhava e, não se identificando, contou onde a menina estava. “Desde a inversão da guarda provisória, eu não tinha contato com minha filha. O pai não permitia. Mesmo assim, ainda tentei algumas vezes. E ele respondeu uma vez através de um torpedo que Joanna estava bem”, contou.

Perguntada pelo juiz qual o estado da criança quando ela foi levada ao pai, Cristiane foi firme ao afirmar que Joanna nunca apresentou convulsões, que tinha a carteira de vacinação em dia e que era saudável. “Ela era totalmente hígida, nem as doenças infantis comuns ela teve”.

O relato da mãe ao descrever o estado em que encontrou sua filha no hospital foi comovente. “Encontrei ela tão machucada, muito magra, com roupas apertadas, talvez de uma irmã mais nova. Quando fui trocá-las, vi cortes nos dois pés, um bem profundo na cabeça, uma hematoma subgalial (galo) na nuca, uma enorme queimadura na região dos glúteos e outra abaixo da clavícula, equimoses e escoliações, além dos pezinhos e das mãos muito inchados. Ela já estava com morte encefálica irreversível”, disse.

Durante o depoimento, Cristiane afirmou que 10 dias antes de Joanna ser levada para a casa do pai, fez na menina uma tomografia “de brincadeira”. “Como assistíamos ao seriado “House”, Joanninha queria saber como funcionava, então fizemos, mas em um primeiro momento não teve resultado. Só depois dos acontecimentos, que o solicitei ao arquivo do hospital”, explicou.