Inaugurado ecoponto em condomínio de Santa Cruz

Um ponto para coleta e reciclagem de lixo, mas que também pode servir de ponto de partida para o aprendizado sobre preservação ambiental de uma comunidade que sofreu na pele os efeitos da degradação do meio ambiente. Esta é a dupla missão do ecoponto inaugurado pela Secretaria do Ambiente, na manhã desta quarta-feira, no condomínio Vivendas do Paraíso, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, adquirido pelo governo do estado para abrigar 200 famílias que moravam, umas à beira do Rio Sarapuí, nas comunidades Vila dos Minérios e Nova Aliança em Bangu, Zona Oeste, e outras às margens do Canal do Cunha, no Complexo da Maré, na Zona Norte carioca.

A alocação delas no conjunto de Santa Cruz faz parte do Projeto Iguaçu, da Secretaria do Ambiente, que desenvolve melhorias nas bacias dos rios Sarapuí, Iguaçu e Botas, entre a Zona Norte do Rio e a Baixada Fluminense. Entre as ações do projeto, é feita a dragagem dos leitos do rios e urbanização de suas margens, com a remoção e realocação da população ribeirinha.

Presente à inauguração do sistema de coleta e reciclagem de lixo em Santa Cruz, a secretária Marilene Ramos, depois de comunicar que, em breve, o governo do estado assinará o termo de propriedade definitiva dos imóveis para os moradores do conjunto, disse que o ecoponto poderá recolher o lixo não apenas do lugar, mas dos condomínios vizinhos, da Base Aérea de Santa Cruz e de outros lugares do bairro.

– Aproveitando esta ocasião, em que estão iniciando uma nova vida, numa casa em condições diferentes das que viviam, de total insalubridade, acostumadas a ver o lixo passar dentro do rio e até elas mesmo jogarem o lixo no rio, a idéia de colocar este ecoponto aqui é para que essas famílias comecem esta nova vida entendendo o que é reciclagem e a importância dela para uma comunidade – argumentou Marilene.

A secretária prevê para os próximos anos uma ampliação significativa do programa Ecobarreiras, hoje com dez unidades localizadas em pontos diferentes da Baixada Fluminense e do sistema lagunar da Barra da Tijuca e Jacarepaguá, e quatro ecopontos, uma das vertentes do projeto. Segundo ela, a aprovação da lei nacional de resíduos sólidos, este ano, ampliando a responsabilidade pós-consumo de empresas que produzem embalagens ou vendem produtos embalados e das que produzem bens de consumo duráveis, vai facilitar a ampliação do programa.

Instaladas na foz dos principais rios e canais, as ecobarreiras têm por objetivo reter o lixo flutuante, impedindo que chegue à Baía de Guanabara e ao complexo lagunar da Barra da Tijuca e Jacarepaguá. O lixo retido é recolhido por cerca de 67 catadores de cooperativas filiadas à Federação Brasileira de Catadores (Febracom).

Além dos ecopontos, agora em número de quatro – Marapendi, Volta Redonda e Barra Mansa e Santa Cruz –, há ecobarreiras nos Canais de Sernambetiba, Arroio Fundo, no Itanhangá, Canal do Cunha, no Rio Irajá, no Rio dos Cachorros, no Ceasa, no Canal do Mangue, em Docas e no Rio Botas e no Rio Meriti, na altura de Duque de Caxias. Só no primeiro semestre deste ano, foram retirados 4,8 mil toneladas de lixo dos rios, das quais 67 toneladas de material para reciclagem, além de 120 toneladas dos três ecopontos.

O ecoponto de Santa Cruz, o quarto do projeto Ecobarreiras, é patrocinado pela Coca-Cola e vai recolher por dia cerca de 500 quilos de material do condomínio e adjacências. Cinco catadoras, coordenados pelo gerente Carlos Alberto José de Lima, todos moradores do condomínio e ligados à Cooperativa Popular Amigos do meio Ambiente (Coopama), com sede em Maria da Graça, Zona Norte do Rio, trabalharão no ecoponto, uma estrutura composta de um cercado com 130 metros quadrados, um miniescritório e uma balança eletrônica.

Do lixo coletado, o orgânico será direcionado para a coleta da Comlurb e o reciclável para o ecoponto, onde será feita a triagem do material para ser reciclado e comercializado pela cooperativa. O dono da Coopama, Luís Carlos Fernandes, disse que a expectativa é expandir o trabalho para outros lugares de Santa Cruz e outros bairros da Zona Oeste.

– É importante destinar todo o material da região para o ecoponto, porque, aumentando a quantidade e o fluxo de material aqui, serão gerados trabalho e renda para mais pessoas, além de se dar um destino adequado para os resíduos, porque as empresas geralmente recolhem seus lixos e descartam não se sabe onde – afirmou Fernandes.