Novo secretário fala em novos caminhos para a Educação do estado

O novo secretário de Educação, Wilson Risolia, pretende fazer, nos próximos dias, um amplo trabalho investigativo na rede estadual de ensino, antes de apresentar formalmente seu plano de ação para reverter o atual quadro negativo do Ensino Médio do Estado do Rio, cujo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), referente a 2009, divulgado este ano, manteve a média de segunda pior nota do país: 2,8. Risolia, no entanto, já antecipou que vai criar um plano de metas para diretores, professores e alunos a partir do ano que vem, baseado no resultado da investigação a ser empreendida nos próximos dias.

A colocação do novo secretário foi feita, na manhã desta quarta-feira, no auditório do prédio anexo ao Palácio Guanabara, em Laranjeiras. Em sua apresentação pessoal, em que traçou um perfil de profissional forjado na área econômica, com ampla experiência na gestão pública, Risolia credencia-se à missão de organizar e potencializar a pasta da Educação acenando com o sucesso de três anos e meio como diretor-presidente do RioPrevidência, quando modernizou o órgão e reduziu o tempo de concessão de benefícios de um ano para apenas 30 minutos.

– Quando aceitei este chamamento, não vim para o risco. Meu compromisso é tentar colocar o Rio de Janeiro numa posição relevante na educação – apostou Risolia.

O novo secretário pretende usar, na Educação, os critérios de potencialização de recursos humanos disponíveis, através da qualificação, como fizera no RioPrevidência, quando, segundo ele, reduziu um quadro ineficiente de cerca de 800 funcionários para outro de 300 altamente produtivo, por acreditar que nem sempre é a quantidade a causa principal do sucesso ou do fracasso de uma gestão. Por isso, relativiza dados como a quantidade de professores – hoje, com mais de 70 mil profissionais – e o ranking educacional.

– O principal não é conhecer esses números, é entender o que eles significam. Por que a nota foi ruim? Tem motivo isso. Esta é a variável relevante hoje. Não adianta ir atrás de um ranking se não conhecer qual o problema. Temos de atacar o problema para chegar aonde a gente pretende – projetou.

Risolia ressaltou os avanços protagonizados no setor por sua antecessora, Tereza Porto, ao elogiar o processo de informatização da rede estadual de ensino e da climatização das salas de aulas. Mas, apontou a direção em que pretende seguir: abrir duas agendas imediatas: uma administrativa e outra estruturante. A primeira é fazer um diagnóstico profundo da rede estadual de ensino, como explicou:

- Até por formação, tenho este vício de pensar a educação como negócio: estou sendo contratado para levar um negócio a um público e preciso saber se o meu produto é bom, como é que meu receptor, que é o aluno, está recebendo este produto - definiu.

Quanto à agenda estruturante, Risolia pretende estabelecer um plano de metas para diretores, professores e alunos com a previsão de bonificação para os méritos alcançados.

– Meritocracia é condição sine qua non para a vida. Então, vamos qualificar a rede estadual de ensino. Diretores e professores terão de estar preparados para exercer sua missão de forma adequada. E para isso vamos dar-lhes todo o apoio de infraestrutura. Mas, o que em finanças chamamos de taxa interna de retorno, esses profissionais vão ter de dar retorno. É uma relação de troca. Vamos continuar com o sistema de avaliações periódicas de alunos. Elas servirão como imput para um sistema de bonificação e premiação, a exemplo do que já é feito pela Segurança. Isso será anunciado ainda este ano - prometeu.

Se o plano de ação ainda depende da implementação dessas medidas iniciais, o novo secretário, porém, estabeleceu claramente a filosofia de sua gestão: adequar o ensino das escolas estaduais às demandas do estado.

– Quero formar o aluno para quê? Quem serão esses alunos amanhã? De que o estado necessita para esse ciclo de desenvolvimento que vive hoje? O que se espera desses jovens amanhã? Por isso, precisamos tratá-los de forma adequada desde agora. Essas duas agendas estão casadas com um propósito de longo prazo. No momento adequado, vamos mostrar o programa com esta sinergia completa – afirmou o secretário.

Risolia garantiu que a Secretaria de Educação não vai fazer contratação de professores, temporários ou não, enquanto não fizer o diagnóstico da situação da pasta.