Paes admite que Rio não está protegido das chuvas para o verão

        RIO - Passados seis meses das chuvas de abril que causaram transtornos e mataram 68 pessoas em deslizamentos na cidade do Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes fez um balanço das ações da prefeitura para a prevenção dos incidentes decorrentes de fortes precipitações. Apesar do investimento de R$ 442 milhões na reconstrução da cidade e do investimento de R$ 117,5 milhões no sistema de alerta e prevenção, Paes admitiu que o Rio não estará totalmente protegido no próximo verão. "Estamos tomando todas as providências com agilidade. Mas nem todas as ações necessárias ficam prontas em um tempo de governo. Provavelmente ainda vamos ter deslizamentos onde há pessoas vivendo", afirmou o prefeito.

De acordo com Paes, 4 mil famílias que moravam em áreas de risco da cidade foram beneficiadas com o aluguel social, que passou de R$ 250 para R$ 400. Ele afirmou que pretende reassentar todas as famílias que recebem o incentivo até o final do ano em moradias do programa do governo federal Minha Casa, Minha Vida. De acordo com ele, mil casas serão entregues em outubro.

O prefeito anunciou ainda a construção de um centro de alerta e prevenção de chuvas que começa a funcionar a partir de dezembro. "Será um dos centros de prevenção mais modernos do mundo. Vamos utilizar dados do governo americano para a previsão do tempo", afirmou Paes, que também confirmou a compra de um radar para identificar a aproximação de nuvens baixas. Segundo ele, o Rio utiliza hoje um radar da aeronáutica localizado em Petrópolis que só antecipa a aproximação de nuvens em alta altitude, por isso a Defesa Civil não conseguiu prever a intensidade das chuvas ocorridas em abril.

Paes garantiu também que está em andamento um mapeamento geotécnico das áreas de risco que vai balizar as ações de emergência e prevenção da prefeitura.

Remoção de famílias

De acordo com Paes, uma das grandes dificuldades enfrentadas pela prefeitura é remover as pessoas das áreas de risco. Ele afirmou que, apesar de ter removido 143 famílias do Morro dos Prazeres, uma das áreas mais atingidas por deslizamentos em abril, algumas famílias ainda relutam em deixar suas casas. O prefeito prometeu ser energético: "Essas pessoas estão pagando para ver. Não vou ficar assistindo de camarote as pessoas morrendo. Não posso carregar o peso de mortes por falta de ação, ainda mais quando se trata de mortes de crianças".

Paes afirmou ainda que a intensidade das chuvas de abril teriam causado transtornos a qualquer cidade do mundo e que pontos de alagamento e deslizamentos serão inevitáveis se voltarem a ocorrer. No entanto, admitiu que os estragos poderiam ter sido amenizados se houvesse políticas públicas de prevenção mais eficientes na época. "Não precisava ter atingido tanta gente. O homem/governo poderia ter agido. Não estaremos 100% em dezembro, mas teremos evoluído bastante", disse.