Greve dos bancários segue transtornando à população do Rio

 

A greve nacional dos bancários, iniciada na quarta-feira passada (29) e que atinge a quase totalidade das agências do centro do Rio de Janeiro, tem gerado transtornos para a população que reclama das grandes filas nos caixas eletrônicos dos bancos e nas casas lotéricas da cidade.

O assistente administrativo, Marcos Paulo Raul, reclamou da demora para conseguir pagar contas e fazer operações bancárias. Ele era um dos muitos cariocas que hoje (4) pela manhã estava em uma grande fila do caixa eletrônico, do lado de fora de uma agência localizada na Avenida Presidente Vargas, no Centro.

”Quem não consegue pagar via internet, só no caixa rápido. E pelas grandes filas que têm aqui, está complicado. Estou levando pelo menos o dobro do tempo que eu levaria normalmente aqui no banco. As pessoas têm mais coisas pra resolver, mais contas para pagar e assim há uma demora maior”, disse.

Já o técnico em computação, Aílton de Azevedo, também reclamou das filas. “Eu não venho muito ao banco, mas consegui perceber que a fila está bem maior. Está vindo até a calçada”, disse Azevedo.

Em bairros das zonas norte, sul e oeste da cidade, a maioria das agências de bancos privados funciona normalmente, mas agências da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil estão fechadas. A paralisação de bancos públicos no início do mês é motivo de preocupação para a médica Kátia Maria Azevedo. Ela reclama que deixou de fazer pagamentos que só podem ser feitos nas agências do Banco do Brasil. "Há guias que os bancos particulares não aceitam e isso gera multa", afirmou.

O presidente do Sindicato dos Bancários do Rio, Almir Aguiar, afirma que, diferentemente de outros anos, tem ouvido palavras de apoio da população.

“Claro, tem algumas pessoas que ficam insatisfeitas, mas os caixas eletrônicos estão funcionando e realizando as operações. Mas, por outro lado, estamos reivindicando também pontos que ajudam a sociedade, como a ampliação do horário de atendimento bancário, com dois turnos de trabalho, mais contratações e redução dos juros. São pontos importantes, tanto para os trabalhadores, quanto para a sociedade.”, afirmou Aguiar.

De acordo com o Sindicato dos Bancários, hoje 639 agências estão com as portas fechadas e cerca de 17,5 mil bancários estão em greve na cidade. A categoria reivindica aumento salarial de 11%, mas a proposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) é de reajuste baseado no índice de inflação de 4,29% para salários e para os auxílios alimentação e refeição.

Hoje, às 17h, será realizada mais uma assembleia geral, na galeria dos empregados no comércio, para avaliar o movimento e organizar os próximos passos.