Autoridades do Panamá conhecem projeto de despoluição do Canal do Fundão

      RIO - A embaixadora e o cônsul do Panamá, Gabriela Garcia e Jairo Arce, estiveram na tarde desta quarta-feira na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para conhecer o projeto de despoluição do Canal do Fundão e de melhorias do entorno, feito em parceria entre o Governo do Estado, a universidade e a Petrobras. As obras estão sendo feitas pela construtora Queiroz Galvão.

O objetivo da visita foi conhecer soluções bem-sucedidas em diversas áreas para serem aproveitadas em projetos no Panamá. A embaixadora e o cônsul foram recebidos pelo subsecretário de Projetos e Intervenções Especiais da Secretaria de Estado do Ambiente, Antônio da Hora, que apresentou um vídeo explicativo sobre a recuperação do Canal e as intervenções na região.

O pioneirismo do projeto consiste na utilização de geobags, espécie de grandes bolsas de material geotêxtil (não poluente) onde ficam compactados os sedimentos retirados por dragas do canal. A medida tem chamado a atenção de governantes de diversos países que buscam soluções para seus passivos ambientais já que, depois de cheios, os bolsões viram material orgânico e podem ser reaproveitados urbanisticamente. Na UFRJ, os bolsões poderão ser recobertos por grama e virar estacionamento ou até mesmo um campo de futebol.

- Na primeira fase do projeto, 2,2 milhões de metros cúbicos de material contaminado e não contaminado serão retirados e 170 mil metros quadrados de manguezal serão plantados. Também estão previstas obras de saneamento e urbanização da vila da UFRJ e diversas intervenções para melhorar a mobilidade de quem frequenta a universidade – explicou o subsecretário, lembrando que todas as obras ficarão prontas no primeiro semestre de 2011.

O cônsul afirmou que o Rio de Janeiro tem ótimos projetos em várias áreas e que o governo de seu país poderá aproveitar esse conhecimento em soluções de infraestrutura para projetos atuais ou futuros.

- Também estivemos na Rocinha pela manhã conhecendo o centro esportivo e visitamos uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) 24h. São ótimas ideias que poderemos levar para o nosso país – disse.

A embaixadora aproveitou a oportunidade para agradecer ao Governo do Estado e à Queiroz Galvão pelas explicações e confirmou que pretende manter o intercâmbio com o Brasil para conhecer outros projetos interessantes.  - Pretendemos aproveitar o conhecimento que vocês têm em nosso país – explicou.

O projeto de despoluição do Canal do Fundão prevê ainda uma segunda etapa de intervenções, que inclui a construção de uma ponte estaiada que ligará a Ilha do Fundão ao continente, solucionando os problemas de tráfego que há décadas afetam a região.

Em junho passado foi iniciado o desassoreamento de um novo trecho do canal no polo portuário naval do Caju. Esta fase inclui ainda a recomposição e a criação de áreas de manguezais e a urbanização e saneamento da Vila Residencial da UFRJ. A recuperação ambiental do Canal do Fundão envolve recursos de R$ 194 milhões, da Petrobras.