Apreendido armamento pesado com milícia; 15 são presos no Rio

A Polícia Civil do Rio de Janeiro apreendeu nesta quinta-feira armamento pesado em uma operação contra a milícia que atuava no Complexo Água Santa, na zona norte. Com os 15 suspeitos presos, entre eles seis policiais militares, foram encontrados três fuzis, uma submetralhadora, uma espingarda automática, três pistolas e uma granada, além de munição. Uma dos fuzis é de fabricação alemã e capaz de atingir alvos a longa distância com precisão.
"Esse é o material que a milícia usa para exercer o seu poder legislativo e executivo sobre a região", afirmou Cláudio Ferraz, chefe da operação e delegado titular da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), que cumpriu 15 dos 40 mandados emitidos pela Justiça para prender os milicianos.
De acordo com o chefe da Polícia Civil, Allan Turnowski, a milícia comandava a região desde 2007, quando, após uma guerra, tomaram o local de traficantes. A polícia apurou que era cobrada dos moradores uma taxa de R$ 30 em impostos para que a "segurança" fosse mantida na área. Quem optasse pelos serviços de TV a cabo, o chamado Gatonet, pagava uma taxa de R$ 50 mensais.
Segundo o delegado Ferraz, o grupo controlava até mesmo a distribuição de água em alguns pontos da região, como no Morro do 18. O policial disse que um homem montou um sistema de encanamento para levar água da nascente do morro para algumas casas e era pago pela manutenção. "Este senhor foi eliminado pelo grupo, que passou a cobrar pela água", afirmou Ferraz.
O delegado disse ainda que os milicianos costumavam simular assaltos e crimes na região para amedrontar os moradores e forçá-los a aderir os impostos. Após os confrontos para o controle da região, várias disputas de grupos milicianos aconteceram, ações apelidadas pelos grupos de "golpes de Estado". A polícia acredita haver na região um cemitério clandestino onde eram desovados os corpos das vítimas.
Ferraz admite que a região pode ainda não estar livre do controle das milícias: "Aqui temos um baque muito forte. As milícias têm muitos tentáculos. Não podemos dizer que a milícia acabou", afirmou.
De acordo com Turnowski, a tomada de regiões pela polícia depende das ações de segurança pública, como as instalações das chamadas polícias pacificadoras. Ele preferiu não diferenciar milicianos de traficantes. "Ambos cometem homicídio. Ambos fazem toque de recolher. Ambos constrangem moradores. Cometem homicídios porque querem simplesmente a namorada de alguém. Ou seja, não dá para diferenciar bandido. Bandido é bandido", afirmou.