MP-RJ: há provas claras de agressão contra Eliza em 2009

Luís Bulcão Pinheiro, Portal Terra

RIO - Após seis horas de audiência no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o promotor Eduardo Paes, responsável pelas acusações de sequestro, cárcere privado e de lesão corporal contra o goleiro Bruno Souza e Luiz Henrique Romão, o Macarrão, afirmou que há evidência de que os crimes foram cometidos. "Há provas materiais de que Eliza foi agredida. As testemunhas serviram para corroborá-las". Nesta quinta-feira aconteceu a primeira audiência de instrução do processo sobre a agressão denunciada pela ex-amante do goleiro, em outubro de 2009. Em outro processo, eles são réus pelo sequestro e homicídio da jovem.

De acordo com Paes, a promotoria está confiante na condenação de Bruno e Macarrão, que podem pegar de três a nove anos de prisão se confirmados os crimes cometidos em 2009. As acusações de homicídio correm em outro processo, na Justiça mineira.

Bruno e Macarrão devem permanecer no Rio de Janeiro pelos próximos 30 dias. O juiz Marco José Mattos, que julga o caso, pretende concluir as audiências neste prazo. Faltam ser ouvidas mais 13 testemunhas da defesa. Mattos deu prazo de 48 horas para que a defesa apresente os endereços e as profissões de algumas das testemunhas solicitadas. Só então será feita a intimação.

Na audiência de hoje, foram ouvidas as cinco testemunhas de acusação. Bruno e Macarrão acompanharam apenas o depoimento da delegada Maria Aparecida Mallet, que recebeu a denúncia de Eliza em 2009. Milena Barone Fontana, amiga de Eliza, solicitou ao juiz que os réus não estivessem presentes durante seu depoimento. De acordo com ela, Eliza havia afirmado que os dois espalharam álcool em seu corpo na madrugada em que a teriam sequestrado.

Foram ouvidos mais dois porteiros do condomínio onde Bruno morava. Um deles afirmou ter visto Bruno e Macarrão chegando na Range Rover do goleiro na madrugada em que teriam ocorrido os crimes. A testemunha teria visto apenas os dois, que estavam nos bancos da frente do veículo. "O que ficou bem claro é que o carro tinha insufilme. Poderia haver mais pessoas no banco de traz e o porteiro não ter visto elas", afirmou Paes.

Advogado diz que Eliza tratava filho como mercadoria

O advogado de defesa de Bruno e Macarrão, Erico Quaresma, afirmou que ficou satisfeito com os depoimentos das cinco testemunhas de acusação ouvidas. De acordo com ele, não há provas de que Eliza Samudio tenha sido agredida ou mantida em cárcere privado em outubro de 2009. "Não se provou nada. Até porque não há o que se provar", disse Quaresma ao deixar a sala de audiência.

"A intenção dessa moça era angariar recursos com o fruto de sua barriga. Isso fica claro em uma conversa por MSN que ela teve com outra amiga. Qualquer camelô em Belo Horizonte sabia o que essa moça fazia", afirmou o advogado.

Quaresma insiste na presença de Eliza, que está desaparecida desde junho de 2010. O advogado tentou, inclusive, arrolar Eliza Samudio como testemunha no processo, o que foi negado pela Justiça do Rio de Janeiro. "Para mim, a vítima está viva. Não há corpo, não há laudo de morte". O advogado afirmou que perguntou à delegada Maria Aparecida Mallet, que recebeu a denúncia de Eliza em 2009 por que ela não levou adiante a investigação. Segundo o advogado, Mallet teria respondido que não viu fundamento na acusação feita por Eliza.

Segundo Quaresma a defesa vai tentar novamente convocar Adriano e Wagner Love para depor. De acordo com ele, o depoimento dos jogadores é importante porque faziam parte do círculo de amizades do goleiro e também poderiam conhecer Eliza.

O caso

Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo qu