Falta de provas deixou Eliza sem defesa

Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - O ex-goleiro do Flamengo Bruno e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, voltaram nesta quinta-feira ao Rio de Janeiro para participarem da audiência do processo sobre o assassinato da modelo Eliza Samudio. A dupla foi levada para a 1ª Vara Criminal de Jacarepaguá e assistiu aos depoimentos das testemunhas de acusação, cujas declarações deixaram algo bem claro: o jogador tinha intenção de matar a ex-namorada desde outubro do ano passado, quando ela ainda estava grávida.

Milene Baroni Fontana, amiga de Eliza Samudio, contou que foi ela quem a jovem buscou após receber as primeiras ameaças de Bruno. Em outubro, o goleiro e Macarrão sequestraram a vítima, ameaçaram-na de morte, tentaram obrigá-la a realizar um aborto e chegaram a colocar álcool no corpo dela.

Na ocasião, Eliza Samudio prestou queixa na Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Jacarepaguá acompanhada de Milene. Ela revelou que, após o incidiente, Elisa passou alguns meses em São Paulo por medo das ameaças de Bruno.

A delegada Maria Aparecida Mallet, que atendeu a vítima na Deam em outubro do ano passado, também prestou depoimento e teve que explicar por que não mandou prender Bruno após as denúncias. Ela alegou que Elisa Samudio não tinha qualquer prova contra o goleiro. A única maneira de provar a ameaça seria através do exame de urina de Eliza, cujo resultado demorou meses para sair e foi considerado inconclusivo pela perícia.

A delegada ainda lembrou que Eliza foi levada para o condomínio de Bruno na ocasião das ameaças. A polícia ainda tentou procurar o porteiro do local, mas ele disse que não conseguiu ver quem estava no carro com o goleiro quando ele chegou em casa. Sem provas da ameaça, Elisa ficou à mercê de Bruno.

Além de Milene Baroni Fontana e da delegada Maria Aparecida Mallet, prestaram depoimento nesta quinta-feira Leandro Freitas, Mateus Laguer e Mauro José de Oliveira, todos funcionários do condomínio de Bruno.

Esquema de segurança

Envolta em sigilo, a transferência de Bruno e Macarrão para o Rio de Janeiro envolveu um enorme comboio que elevou os dois da Penitenciária Nelson Hungria para o aeroporto da Pampulha, em Contagem. De lá, eles pegaram um avião para o Rio e foram para o Instituto Médico-Legal para realizar um exame de corpo de delito. Em Jacarepaguá, a rua da Vara Criminal foi fechada para a chegada dos acusados.

Advogado de Bruno ataca Eliza e alega inocência

O advogado do goleiro Bruno voltou a atacar Eliza Samudio durante os depoimentos de nesta quinta-feira. Segundo Marcio Carvalho de Sá, a vítima tentava tirar proveito da fama do jogador ao acusá-lo de sequestro em outubro do ano passado.

Afirmo com todas as letras que Eliza não foi morta naquele dia, em Minas disse Marcio. Com pessoas como ela, que vendem o corpo e participam de orgias, é difícil dizer se ela não sofreu nada demais. A imagem dela diz por si só.

O advogado também manteve a posição de achar correto intimar Eliza Samudio para a audiência. Ele crê que ela está viva.

Torcida

Além de seu advogado de defesa, Bruno contou com a presença da torcida do Flamengo. Rubro-negros levaram faixas de apoio ao goleiro.