Delegada que ouviu Eliza Samudio é a primeira a depor em audiência

Luís Bulcão Pinheiro, Portal Terra

RIO DE JANEIRO - A delegada Maria Aparecida Mallet, que respondia pela Delegacia de Defesa da Mulher do Rio de Janeiro em outubro de 2009, foi a primeira testemunha ouvida na audiência do processo de agressão a Eliza Samudio, que acontece nesta quinta-feira, no Fórum de Jacarepagua. Ela afirmou que ouviu a ex-amante do goleiro Bruno Souza, quando ela registrou ocorrência de ameaças e agressão contra o atleta e o amigo dele, Luiz Henrique Romão, o Macarrão.

Segundo a delegada, em seu depoimento Eliza, então com 25 anos e cinco meses de gestação, afirmou que o atleta e o amigo a forçaram a entrar no carro e a ameaçaram de morte, caso ela não fizesse um aborto. Ela denunciou, ainda, que foi forçada a tomar substâncias abortivas. A delegada afirmou que não determinou a concessão de medidas de proteção à ex-amante de Bruno porque deixou o inquérito apenas seis dias após receber a denúncia.

Na tarde de hoje, o juiz Marco José Mattos, ouvirá apenas as cinco testemunhas de acusação, indicadas pelo promotor Eduardo Paes. A segunda pessoa a ser ouvida é Milena Baroni Santana, amiga de Eliza. Já as testemunhas de defesa devem ser ouvidas em outra audiência, que ainda não foi marcada.

Logo após o início dos trabalhos, o advogado do goleiro e de Macarrão, Ercio Quaresma, afirmou que o deslocamento de seus clientes ao Rio de Janeiro para participar da audiência é absurdo. "Já vi antes coisas absurdas neste processo. E essa situação de vir ao Rio é mais uma delas", disse ele.

No Rio de Janeiro corre o processo que surgiu após as denúncias feitas por Eliza Samudio, ex-amante do jogador que, em outubro de 2009. Em Minas Gerais a dupla é acusada, junto com outros cinco réus, pelo sequestro e morte de Eliza. Ela teria sido sequestrada no Rio de Janeiro e levada para o sítio de Bruno na região metropolitana de Belo Horizonte, de onde só teria saído para ser executada por asfixia, segundo o inquérito policial. "Não fizeram provas até agora de que ela está morta. Não vi cadáver, não vi atestado de óbito e não vi relatório de necropsia", disse o advogado na tarde de hoje.

Outro advogado da equipe de defesa de Bruno e Macarrão, Márcio Carvalho de Sá, disse que a expectativa para a audiência é colher provas de que não aconteceu crime algum. Bruno acompanha a audiência sentado à esquerda do juiz, com braços cruzados, sem demonstrar emoção.

Os réus desembarcaram no Rio de Janeiro por volta de 10h45 de hoje no aeroporto Santos Dumont, passaram pelo Instituto Médico Legal (IML), na Leopoldina, e em seguida foram levados para Jacarepaguá. A dupla chegou à capital fluminense em um avião da Polícia Civil de Minas Gerais. Eles deixaram o presídio mineiro de Contagem por volta de 8h50 e embarcaram em direção à capital fluminense no aeroporto da Pampulha.

O caso

Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho