Defesa do sargento vai alegar que ele é esquizofrênico

Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - A defesa do sargento Marcelo José Leal Martins, acusado de cobrar propina do pai do atropelador de Rafael Mascarenhas, vai alegar que o PM sofre de esquizofrenia. No depoimento desta quinta-feira, prestado à Auditoria Militar, o sargento disse que ficou afastado da corporação por dois anos por causa da doença mental.

Na audiência, o advogado Ekner Maia negou até que seu cliente tenha percebido que o carro de Rafael Bussamra estava amassado.

Marcelo José Leal Martins também negou que tenha praticado corrupção ativa, mas admitiu que marcou um encontro com Roberto Bussamra.

Já o cabo Marcelo Bigon, também envolvido no incidente, admitiu que não tem autorização para dirigir viaturas militares. Ele foi flagrado por câmeras conduzindo o carro da PM após o acidente.

A delegada responsável pelas investigações, Barbara Lomba da 15ª DP (Gávea), espera terminar o inquérito sobre o caso ainda esta semana para definir se vai indiciar Rafael Bussamra por homicídio culposo ou doloso. O pai do jovem, o empresário Roberto Bussamra, também pode responder por corrupção ativa ou passiva, já que ele afirmou em depoimento à polícia que pagou propina aos dois PMs que abordaram Rafael.

Na segunda-feira, o Minitério Público (MP) denunciou os PMs por corrupção passiva, falsidade ideológica e descumprimento de função. Se forem condenados pelos crimes, os policiais podem pegar de três a oito anos de prisão.

Segundo o MP, na madrugada de 20 de julho, os PMs aceitaram a promessa de receber R$ 10 mil, receberam um adiantamento de R$ 1 mil e ficaram de pegar o restante no dia seguinte, com o pai do atropelador.