Unilab integra o Brasil à África

JB Online

RIO - Uma instituição pública, de ensino superior, que atenderá toda a população de língua portuguesa, e integrará o Brasil com países da África, será instalada no município de Redenção, interior do Ceará, em 2011.

A Universidade Federal da Integração Luso-Afro-Brasileira (Unilab) oferecerá cursos que vão suprir a demanda desses países. Entre os cursos: enfermagem, formação de professores, gestão pública, agronomia e engenharia de energia.

As obras do campus têm início previsto para o próximo ano e, até a conclusão delas, as atividades serão desenvolvidas em instalações provisórias, cedidas pela prefeitura de Redenção.

A seleção será feita a partir do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e, para os estudantes brasileiros, metade das vagas será destinada aos que acabaram de concluir o ensino médio público.

Paulo Speller, reitor em exercício da Unilab, diz que a criação da Universidade foi inspirada no projeto da Universidade de Brasília (Unb), elaborado por Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro.

A Unilab terá como parceria a Unb, que foi a primeira universidade federal do país a adotar o sistema de cotas em 2004 ressaltou Paulo Speller.

A lei que criou a Unilab foi sancionada pelo presidente Lula no mesmo evento em que foi sancionado o Estatuto da Igualdade Racial, na terça-feira.

Nova ordem de direitos

Aprovado pelo Congresso no dia 16 do mês passado, após sete anos de tramitação, o estatuto prevê garantias e o estabelecimento de políticas públicas de valorização dos negros.

O documento estabelece uma nova ordem de direitos para os brasileiros negros, que são hoje cerca de 90 milhões de pessoas. E, segundo a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, objetiva a correção de desigualdades históricas no que se refere às oportunidades e aos direitos dos descendentes de escravos do país.

Congresso vai discutir a realidade do negro

Para enfatizar ações contra a desigualdade racial será realizado, hoje, o Sexto Congresso Brasileiro de Pesquisadores Negros (Copene) na Uerj, primeira grande instituição no Brasil a reservar, em 2001, um sistema de cotas (vagas) para negros.

O congresso abordará estudos e debates sobre a realidade das populações negras, principalmente as questões ligadas ao racismo. O evento vai até o dia 29.

Pesquisadores selecionados em diversos estados do Brasil e do exterior vão apresentar 24 eixos temáticos. Uma das presenças mais esperadas na mesa de debates Comunicação e Mídia, é a do ator americano Danny Glover.

De acordo com a professora Magali da Silva Almeida, da Uerj, que é presidente do Copene, o evento chega num momento favorável para explicar a questão do pós-colonialismo.

Vamos mostrar o quanto o negro sofreu, desde que foi tirado violentamente do continente africano. lembrou Magali. Através de exposições de artistas e palestras vamos explicar que o negro também produz apesar do preconceito que sofre até hoje.