O caminhão que cruzou o oceano

Urbano Erbiste, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Não vamos a lugar nenhum, estamos indo pra qualquer lugar.

Simples e objetivo, o alemão Peter Van Boom, 50, explica a presença dele e da esposa no estacionamento em frente à Escola de Comando do Estado Maior do Exército (Eceme), na Praia Vermelha (Zona Sul). A bordo de um potente e equipado caminhão, eles estão percorrendo a América do Sul em busca de um novo lugar para fixar residência.

Em novembro de 2009, Peter, analista de sistemas em seu país, e a mulher Els, 54, deixaram a Holanda num navio cargueiro rumo à Argentina. Após cruzarem o Atlântico em 30 dias, desembarcaram seu caminhão Mercedes e iniciaram uma viagem sem data para terminar e sem destino definido.

Eu estava prestes a me aposentar, meus filhos já cresceram conta Peter. Então, decidimos vender tudo e sair pelo mundo. Sempre tive vontade de conhecer o mundo, mas fiquei com medo de ficar velho e perder o vigor.

O possante

O casal comprou o caminhão pelo site Ebay, por 25 mil euros (R$ 75 mil), e adaptou o veículo, que é muito usado em viagens pelos territórios inóspitos da África.

Ouvimos muitas recomendações sobre o Brasil, claro que nos falaram da violência admite Peter. Por isso, só viajamos durante o dia e sempre paramos perto de bases ou quartéis do Exército. É mais seguro. Até agora, a cidade que mais encantou os viajantes foi Laguna (SC).

Ficamos fascinados com a vida que levam os pescadores de lá. Vimos golfinhos, é um lugar lindo lembra Els, que é enfermeira.

Agora, o casal espera a visita dos dois filhos, que vêm da Alemanha encontrar os pais durante as férias. Mas vão esperá-los viajando, pois querem chegar ao Pantanal de Mato Grosso, que estão ávidos por conhecer.

Também gostamos muito de Paraty, onde acordei com o barulho de um homem talhando um barco de mais de 130 anos só com duas ferramentas. É um modo de vida fantástico conclui Peter.

Em sua casa sobre rodas e que pneus! o casal é reservado. Preferiu não mostrar seus apetrechos dentro dos armários e pediu que a pia, cheia de louças para lavar, não fosse fotografada.