Debate no Rio define estratégias para combater consumo do crack

Agência Brasil

RIO - Especialistas brasileiros e estrangeiros estão reunidos na sede da organização não governamental (ONG) Viva Rio para definir estratégias e formular um documento com orientações a respeito de como tratar o problema do crack. As recomendações deverão ser finalizadas até amanhã (2) eo documento será distribuído a equipes do Programa de Saúde da Família.

Segundo o diretor executivo da Viva Rio, Rubem Cesar Fernandes, o Brasil ainda não tem pessoal preparado para lidar com o vício do crack e é preciso definir estratégias para agentes de saúde e assistentes sociais que atuam diretamente na prevenção e no tratamento dos usuários da droga.

Para Fernandes, o crack ainda é tratado, de forma equivocada, como uma questão de polícia. Você remove [usuários] e o problema volta, e muito maior. O que estamos discutindo é uma estratégia de saúde que presume uma aproximação com esse pessoal. Se você não criar confiança, [os usuários] se mandam, se escondem e a gente continua sem conseguir se aproximar do problema. Para lidar com um problema é preciso se aproximar dele e olhar de perto e ver como resolve , alertou.

A experiência dos Estados Unidos, com a redução de danos para os dependentes da droga, apresentada durante o encontro, deve ser uma das iniciativas adotadas pelas equipes de saúde no Rio. A proposta norte-americana é minimizar as consequências da violência e de saúde entre os usuários do crack, oferecendo kits seguros para evitar, por exemplo, as feridas na boca provocadas pelo calor do cachimbo usado no consumo da droga que podem ser focos de contaminação de hepatite.

O coordenador da área de saúde mental do Ministério da Saúde, Pedro Gabriel Delgado, disse que a redução de riscos é um dos componentes da política de ampliação do acesso a serviços de prevenção e tratamento do vício no Brasil.

O problema não é a droga em si, mas é o conjunto de circunstâncias de vulnerabilidade que cercam o consumo do crack. A estratégia da redução de riscos nos permite pensar em ações intermediárias, ou seja, se for usar [o crack] use com menos riscos. Não se exponha às doenças sexualmente transmissíveis e à violência , alertou Delgado. Ele lembrou que, muitas vezes, a fissura leva o usuário à prostituição e à prática de delitos como roubos.

Delgado lembrou ainda que o Ministério da Saúde está ampliando de 2,5 mil para 5 mil o número de leitos para internação de curto prazo em hospitais gerais em todo o país, transformando os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) em centros 24 horas e investindo na criação de Consultórios de Rua e Casas de Acolhimento. O Rio de Janeiro já tem um projeto de Consultório de Rua aprovado que deve ser instalado ainda este ano no centro da cidade, na região da Lapa.

As ações de combate ao uso do crack também são adotadas nas fronteiras do país para evitar a entrada de drogas como cocaína e pasta base usadas na produção do crack. Nós estamos fazendo um curso de formação com 900 policiais (militares, civis e peritos) e agora estamos comprando viatura, colete, armamento, helicópteros e barcos , afirmou Suelen da Silva Sales, gerente de projetos da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça.