Teatro Municipal volta a brilhar

José Luiz de Pinho, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Um dos monumentos mais suntuosos e emblemáticos do Brasil, o centenário Teatro Municipal do Rio de Janeiro foi oficialmente reaberto nesta quinta-feira, após um ano e meio em reforma. Várias personalidades prestigiaram o evento, entre elas o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes. Autoridades e convidados assistiram a apresentação da Orquestra Sinfônica Brasileira, que executou L'Arlésienne, de Georges Bizet, com regência do maestro Roberto Minczuk.

O coral e o corpo de baile do Municipal também participaram da cerimônia, que contou com personalidades do exterior convidadas por Lula, como a bela Mozah Al Missned, mulher do xeque do Catar, e José Luis Zapatero, primeiro-ministro espanhol.

A primeira obra a abrir temporada após a reforma será a ópera Il Trovatore, de Giuseppe Verdi, na semana que vem. Segundo o Ministério da Cultura, foram gastos R$ 70 milhões no teatro, que passou por um trabalho de descupinização e recuperação do telhado, instalações elétricas e hidráulicas, dos foyers (salões de espera), dos camarins e da sala de espetáculos.

O Municipal também teve restaurados seus elementos artísticos, e foram trocados elevadores, poltronas e ar-condicionado. A nova iluminação da fachada deu um tom ainda mais suntuoso ao centenário teatro.

A presidente da Fundação Theatro Municipal, Carla Camurati, falou da reforma, que resgata a cultura do Rio. Para evitar que peças históricas fossem quebradas ou até furtadas, os ateliês de restauração foram armados dentro do próprio teatro.

Jamais tiraria uma fiapo do projeto inicial. As pessoas julgaram que a louça nos banheiros era a original, mas estavam enganadas. Era da reforma de 1970, estava modificada. O que fizemos foi criar mais banheiros para atender a demanda de público. Uma reforma dessa proporção não poderia ser feita às pressas explicou.

A reinauguração do teatro devolve ao Rio uma parte da vida cultural da cidade, adormecida por 19 meses, tempo que durou a reforma. O projeto recuperou as características originais do prédio, inaugurado em 1909, e devolve, aos poucos, o charme das imediações da Cinelândia.

Exterior também muda

Junto com a retomada das atividades da casa, será aberto o Boulevard 13 de Maio, um espaço ao ar livre, com café, anexo ao restaurante Assyrius, que funciona dentro do teatro. As obras no entorno do Municipal prosseguirão. As avenidas 13 de Maio e Rio Branco terão suas calçadas reformadas, com a recolocação das pedras portuguesas e pontos de luz. A prefeitura também prepara a limpeza de monumentos naquela região do Centro do Rio.