ISP: Crimes em queda no estado. Deputado questiona e quer CPI

Marcelo Fernandes, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - O Instituto de Segurança Pública (ISP) constatou nova queda na criminalidade no estado em março. O levantamento nas ocorrências registradas em delegacias mostrou diminuição nos quatro indicadores estratégicos estabelecidos pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) homicídio doloso, latrocínio, roubo de veículos e a transeuntes.

O número de homicídios dolosos (com intenção de matar), que em março de 2009 foi de 588, não passou dos 493 no mesmo mês deste ano, com uma redução de 16,2% (menos 95 vítimas). O índice de queda é quase o duas vezes maior que a meta da SSP para o semestre, que é de redução de 6,33%.

O trimestre inicial do ano também tem números em queda: em 2009, 1.695 pessoas foram assassinadas no estado, enquanto em 2010 ocorreram 1.414 homicídios.

A doutora Sílvia Ramos, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes, mostrou-se otimista especialmente com a diminuição do número de homicídios, mas ressaltou que ainda é cedo para comemorações.

O resultado é positivo, mas só em mais um ou dois meses se poderá perceber se houve realmente uma queda. No ano passado, também houve decréscimo no início e depois os números voltaram a subir. Por isso, é preciso aguardar para verificar se realmente existe uma redução, principalmente de homicídios argumentou, lembrando que as Unidades de Polícia Pacificadora deram uma esperança na questão da segurança.

Em relação aos latrocínios (roubos seguidos de morte), houve 16 casos registrados neste ano, contra 30 de 2009.

Já as ocorrências de roubo de rua (assaltos em ônibus, roubo de celulares e a transeuntes) caíram em 1.524 casos. E 523 veículos deixaram de ser furtados ou roubados em comparação com março do ano passado.

Deputado quer CPI

Os números do ISP estão sendo colocados em dúvida pelo deputado estadual Rodrigo Dantas (DEM). Ele informou ter coletado assinaturas suficientes para dar entrada no pedido de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), com o objetivo de apurar a metodologia do instituto.

Às vezes, você vê um caso de bala perdida no jornal, e quando sai o estudo ele não é computado. Eles torturam os números, que acabam dando o que querem. É preciso saber também como os dados são usados, para policiar cada área de acordo com a necessidade disse Dantas.

A Secretaria de Segurança Pública não comentou as suspeitas. O órgão acrescentou que o presidente do instituto, o tenente coronel da PM Paulo Augusto Souza Teixeira, está à disposição para esclarecer quaisquer dúvidas sobre a metodologia.