Geofísico propõe tubos para retirada dos gases do fundo da Lagoa

Thiago Feres , Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Após um estudo desenvolvido nos últimos três meses, o geofísico Valya Hamza, do Observatório Nacional, concluiu que os gases tóxicos são os grandes responsáveis pelas sucessivas mortandades de peixes ocorridas na Lagoa Rodrigo de Freitas. Segundo ele, a solução para evitar novos desastres ecológicos seria a instalação de canos para drenar os gases concentrados no subsolo, principalmente o sulfídrico, o metano e dióxido de carbono.

Depois de um estudo de impactos ambientais, canos de plástico com aproximadamente 30 metros poderiam ser os responsáveis pela retirada dos gases do fundo da Lagoa explica Valya. Uma conexão de borracha conduziria os gases para a beira. Como eles seriam expelidos em pequenas quantidades, não haveria impactos para a população ou ao meio ambiente.

De acordo com Valya Hamza, os primeiros registros de mortandades no local são de mais de 350 anos, quando não havia poluição alguma. E foi o mau cheiro dos gases que motivou os índios a batizarem de Ipanema a região em que se encontra a Lagoa Rodrigo de Freitas. Em Tupi, o nome de um dos bairros mais importantes da cidade significa lugar fedorento .

O geofísico lembra que um estudo sonar sobre o leito da Lagoa mostrou que a área é formada por rochas fragmentadas, que acabaram encobertas por uma espessa camada de lodo. Nos espaços entre as rochas, circulariam os gases.

O calor que emana da terra para a superfície seria um dos responsáveis pela emissão dos gases destaca. Na região costeira do Rio, quanto maior o calor, mais gases acabam escapando e provocando a mortandade dos peixes.

A drenagem já é feita com sucesso em dois lagos em Camarões, na África, depois que uma forte liberação de gases, em 1986, que matou 1.700 pessoas. O recente estudo feito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (Ufrj) sobre a última mortandade na Lagoa, ocorrida em fevereiro deste ano, também é questionado pelo geofísico.

Mortes provocadas por algas não costumam ter a característica apresentada. As algas provocam mortes lentas que duram até 15 dias ressalta.

Especialistas compartilham dúvida sobre mortandade

Assim como o geofísico Valya Hamza, o professor do Departamento de Oceanografia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), David Zee, também discorda do laudo sobre as causas da última mortandade na Lagoa.

Por uma questão de ética, prefiro não entrar no mérito, pois o estudo foi elaborado por uma instituição de respeito (UFRJ), mas eu não creio que corpos estranhos tenham provocado os óbitos revela.

Mas Zee acredita que a instalação de canos proposta por Valya seja inviável e afirma que o leito da Lagoa é composto de areia. No entanto, outro ponto em comum entre os especialistas é emissão de gases. Para Zee, o gás sulfídrico foi o responsável pela subtração do oxigênio da água na última mortandade.