SME lança programa que acompanha evolução de alunos

Carolina Monteiro, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Começa neste domingo o novo programa da Secretaria Municipal de Educação, chamado Nenhuma criança a menos. Através dele, estudantes da rede que tiveram maiores dificuldades na Prova Rio, aplicada em outubro do ano passado, vão ser acompanhados individualmente. Reduzir o déficit de aprendizagem é o grande desafio do órgão desde o fim da progressão automática na rede municipal de ensino, no início de 2009.

O fim da progressão automática é importante para introduzir uma cultura de esforço entre os alunos explica a secretária municipal de educação Claudia Costin. Por outro lado, não queremos que eles sejam reprovados.

Uma prova aplicada no início de 2009 mostrou que 28 mil alunos da rede municipal eram analfabetos funcionais. Para minimizar o problema de aprendizado, foram criadas, no ano passado, turmas de re-alfabetização e reforço escolar. Em outubro, alunos dos 3º e 7º anos participaram da Prova Rio.

Escolhemos estas séries, pois, daqui a dois anos eles farão a Prova Brasil, no 5º ou no 9º ano conta Claudia Costin.

A partir da avaliação, os alunos e escolas que tiveram resultados insatisfatórios passarão a ter atenção especial neste ano. As 116 unidades que apresentaram os piores resultados foram apadrinhadas por uma instituição da mesma região que está entre as melhores colocadas no ranking para trocar experiências. Além disto, a secretária tem se reunido com as Coordenadorias Regionais de Ensino e diretores para discutir que outros recursos são necessários para a melhoria da aprendizagem.

Os professores destas escolas também terão uma série de cursos coordenados pela Uerj e pela UFRJ conta Claudia.

Os alunos com maior dificuldade passam a ser atendidos individualmente para complementar o trabalho feito em sala de aula. Por, pelo menos três dias na semana, eles ficam em tempo integral na escola. Neste período, os estudantes participam de atividades em salas de leitura, reforço escolar acompanhado por estagiários da prefeitura e reforço digital, feito pela internet.

Essas crianças serão monitoradas quinzenalmente e farão uma prova extra por mês diz a secretária.

Psicólogos e pedagogos também irão às instituições para analisar questões de fora do âmbito escolar que possam interferir no desempenho acadêmico das crianças.

Escola no Santo Cristo já está pronta para receber programa

Na Escola Municipal General Mitre, no Santo Cristo (Zona Portuária), oito alunos participarão do programa Nenhuma criança a menos. Antes da implementação do projeto, a direção participou de reuniões com coordenadores pedagógicos de outras unidades para conversar sobre a proposta. Os estudantes já participam de atividades extracurriculares desenvolvidas no contra-tempo escolar, ou seja, na parte do dia em que não estão em sala de aula.

Temos oficinas de letras, capoeira, futebol, tênis de mesa e informática do programa Mais educação do MEC conta a diretora da escola Marcelle Dias. Todos os alunos do Nenhuma criança a menos serão incluídas neste programa, pois fica muito mais fácil acompanhar o desenvolvimento deles quando passam mais tempo dentro da escola.

Além das atividades extra-curriculares, os alunos terão diariamente uma tarefa doméstica que, no dia seguinte, será corrigida e arquivada para acompanhar o seu desenvolvimento durante o ano letivo. As crianças também têm atividades de reforço escolar com estagiários e em computadores dentro da escola.

As questões abordadas no reforço estão alinhadas com o que o professor está trabalhando dentro de sala de aula explica Marcelle.

Os alunos já percebem que as atividades que começaram no início do ano já vem fazendo a diferença em sala de aula.

Fica mais fácil entender o que o professor fala na aula conta Alerranderson Gomes.

Na sala de leitura, eles entram em contato com a literatura. A cada semana os alunos levam um livro para casa. Na semana seguinte, a professora debate com o eles o conteúdo do volume lido.

O livro que mais gostamos foi Quem tem medo de lobo ? escolhem Letícia Moura e Alerranderson Gomes.

Ao contrário de muitas crianças, os dois gostam de ir para a escola. O aumento do horário que passam dentro da unidade não foi um problema para os alunos.

Normalmente, os nossos alunos chegam aqui bem antes do início das aulas. Não temos problema com frequência afirma a diretora.