Defesa de procuradora entra com pedido de habeas-corpus

Portal Terra

RIO - O advogado da procuradora de Justiça aposentada Vera Lúcia de Sant'Anna Gomes, acusada de torturar uma menina de dois anos que estava sob sua guarda provisória, entrou com um pedido de habeas-corpus no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro na tarde desta sexta-feira.

A Justiça decretou a prisão preventiva da procuradora na quarta. No dia seguinte, determinou que Vera Lúcia pagasse pelo tratamento psicológico da criança. A Vara de Infância, Juventude e Idoso da Comarca da Capital julga ainda um pedido de indenização à menina por danos morais e materiais, segundo pedido feito pelo Ministério Público.

Vera Lúcia Gomes é considerada foragida da Justiça e chegou a ser detida pela Polícia Civil em Búzios, na manhã de quarta. Policiais da 127ª Delegacia de Polícia (DP) acreditavam que um mandado de prisão tinha sido expedido, foram à casa da procuradora e a conduziram à DP. No entanto, a alteração temporária do processo para um caso de violência doméstica, feita pelo juiz Roberto Câmara Lacé Brandão, tornou inválido o documento que os oficiais tinham em mãos, segundo a assessoria de comunicação da Polícia Civil. Dessa forma, o delegado responsável liberou Vera Lúcia.

Abandono e esperança de ter um lar

Apesar de ter apenas 2 anos, a vida de T. nunca foi fácil. Abandonada duas vezes pela mãe biológica, a menina morou em abrigos quase todo o seu tempo de vida e há dois meses passou a receber as visitas da procuradora, depois de autorização da Justiça. Carinhosa, T. rapidamente se afeiçoou a Vera Lúcia, a quem já chamava de mãe. O novo lar confortável e a nova mãe pareciam ser perfeitos.

Para conseguir a guarda provisória de menina, a procuradora passou por um rigoroso e longo processo. Durante um ano, ela participou de reuniões mensais com membros do Conselho Tutelar e profissionais da Vara da Infância, da Juventude e do Idoso, passou por avaliação psicológica e por uma pesquisa social até, finalmente, obter a habilitação para adoção, quando o juiz autoriza o candidato a ter visitas com a criança.

"Ela passou por todas as etapas e foi considerada apta. O que aconteceu foi um choque para todos. O processo de adoção tem que ser por amor e não por ver a criança como uma mercadoria que você pega da prateleira para experimentar. Mais de 90% dos casos são bem sucedidos. O pior desse caso é que tinha um casal também habilitado e muito interessado pela menina", disse a magistrada Ivone Ferreira Caetano. Há na vara 800 pessoas inscritas para adotar uma criança.