JB 119 anos: uma história de resistência

Jornal do Brasil

RIO - Às 10 horas da noite do dia 13 de dezembro de 1968, o JB já estava com a edição fechada, quando, em cadeia de rádio e TV, foi anunciado o mais violento instrumento de arbítrio da ditadura militar: o Ato Institucional nº 5, que extinguia direitos constitucionais, abria caminho para fechamento do Congresso e criava censura prévia à imprensa. Pouco depois, quatro capitães do Exército aboletaram-se na sala dos editores, no prédio da Avenida Brasil, proibindo a publicação de boa parte das reportagens que seriam impressas. A solução foi trazer anúncios classificados para o noticiário. A resistência à opressão, não percebida pelos censores, manifestou-se em dois pequenos retângulos na primeira página: a previsão do tempo, sobre nuvens negras no horizonte e ambiente irrespirável, e chamada de três linhas, Ontem foi o Dia dos Cegos , para o anúncio de uma missa na Igreja de Santa Luzia. Não foi a primeira vez que o JB enfrentou censura. Mas foi o símbolo do ideal de coragem e resistência mantido até hoje, dos atuais investidores ao mais simples dos funcionários.