JB 119 anos: Represálias contra a isenção editorial

Jornal do Brasil

RIO - Com a isenção que marcou sua história, a linha editorial do Jornal do Brasil registra numerosos casos de críticas a aliados e apoio a adversários . Marcantes foram os episódios das eleições de 1982 para o governo do Rio de Janeiro, quando o aparato político da ditadura, canalizado na ação do partido oficial, a Arena, tentou fraudar o resultado da apuração mediante expedientes introduzidos no sistema informatizado de contagem de votos.

A imparcialidade da cobertura beneficiou Leonel Brizola, alvo de contundentes críticas nos editoriais anteriores a 1964, por sua ação inflamada nos últimos dias do governo João Goulart.

O esquema apoiado pela ditadura militar apostara todas as fichas na eleição do candidato da Arena, Wellington Moreira Franco. E não hesitou em tentar falsear os resultados através da empresa Proconsult. Levou a intenção ao limite de tentar impedir a divulgação dos verdadeiros resultados do pleito, verificados em preciso e imparcial esquema de acompanhamento da apuração de votos montado pelo Jornal do Brasil e pela Rádio Jornal do Brasil.

O distanciamento cauteloso diante do autoritarismo ditatorial também não impediu apoio pontual aos algozes de então, os generais Ernesto Geisel e seu sucessor João Batista Figueiredo, nas iniciativas para anistia. Para Geisel, o processo deveria partir de uma abertura política lenta, gradual e segura . Figueiredo, apesar de seu temperamento explosivo, levou o processo ao fim, atendendo aos reclamos populares de anistia ampla, geral e irrestrita .

Com o processo, puderam retornar ao país exilados como Leonel Brizola, José Serra, hoje candidato à sucessão do presidente Lula, e o deputado Fernando Gabeira. Foram beneficiados também o ex-líder estudantil Vladimir Palmeira e dezenas de brasileiros obrigados a fugir para o exterior para escapar da repressão a oponentes da ditadura.