Reconstrução da UNE é reparação à democracia, diz presidente

Agência Brasil

RIO - O presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Augusto Chagas, disse nesta quinta-feira que a reconstrução da sede da entidade, destruída durante o regime militar, representa uma reparação à democracia brasileira. O prédio, na Praia do Flamengo, na zona sul da cidade do Rio, pegou fogo em 1964 e demolido anos depois pelo governo militar.

O terreno chegou a sair das mãos da instituição por vários anos, até que, em 2007, a Justiça devolveu-o à UNE. Um projeto do Poder Executivo, que tramita no Senado Federal, reconhece a responsabilidade do Estado brasileiro pela destruição do prédio e, por isso, prevê uma indenização de até R$ 30 milhões para sua reconstrução.

Na última terça-feira (20), a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou o projeto. Os próximos passos são a aprovação pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e a sanção do presidente da República.

"Várias gerações lutaram por isso a reconstrução da sede. A medida mostra respeito à instituição e ao que ela representa. Após 36 anos de espera, é uma reparação à democracia brasileira. Agora a expectativa é para que nos próximos meses esse projeto se concretize", afirmou Chagas.

Em 2007, aniversário de 70 anos da UNE e mesmo ano em que o terreno voltou às mãos da entidade, Oscar Niemeyer entregou um projeto para a reconstrução da Casa do Poder Jovem, como está sendo chamada a futura sede. No novo prédio, de 13 andares, estão previstos um teatro e um centro de memória do Movimento Estudantil.

Johnny Heringe, da União Estadual de Estudantes (UEE) do Rio de Janeiro, acredita que a ação faz parte de um movimento de resgate da memória do povo brasileiro. Com o orçamento da nova sede previsto em R$ 30 milhões, a UNE faz uma campanha paralela de arrecadação. "Enquanto não recebemos o dinheiro da indenização, estamos angariando verba com a venda de carteirinha e de doações de estudantes", conta o tesoureiro.

Segundo a representante da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes) Ariana Souza, o espaço previsto para o novo prédio torna o lugar ideal para reunir membros e organizar trabalhos e pautas, além de a história da sede da Praia do Flamengo ser uma referência para os estudantes. "Estaremos de volta à nossa casa", resume.