Moradores reclamam que Defesa Civil não visitou 3 áreas de risco

Portal Terra

RIO - Duas semanas após terem suas casas atingidas por deslizamentos provocados pelo pior temporal que o Rio já sofreu nos últimos 44 anos, moradores dos morros da Ponte Velha, Igrejinha e Chapa Quente, em Niterói, denunciam que a Defesa Civil do município não visitou os locais. Nas três comunidades, que ainda têm diversos pontos de risco, foram registradas seis mortes e dezenas de pessoas permanecem desabrigadas. Muitos moradores afirmam que não conseguem se cadastrar para o programa de aluguel social por não terem o laudo técnico de interdição da Defesa Civil.

Conceição Silva Santiago, 55 anos, chora toda vez que vai à casa onde morava, na Ponte Velha. O imóvel, situado na base de uma encosta, foi atingido por um deslizamento que vitimou cinco pessoas. Embora a casa tenha danos aparentes na varanda e esteja abaixo de um conjunto de casas que já foram interditadas, Conceição diz que não foi visitada pelas equipes da Defesa Civil. "Os técnicos estiveram nas casas que estão no barranco. Mas na minha ninguém veio. Tenho medo de ficar aqui e morrer como meus vizinhos" afirma.

Mirian Fernandes, 27, e o marido Roberto Silva, 31, não dormem sossegados desde o dia 6, quando parte da encosta sobre a qual está a casa deles cedeu, deixando-os à beira de um precipício. "Uma equipe da Defesa Civil esteve em uma comunidade vizinha, fui lá e pedi que viessem ver a situação da minha casa, mas ninguém apareceu. Estamos aqui porque não temos para onde ir. Nossas malas estão prontas para sairmos caso volte a chover", diz Miriam. Moradores do Morro da Chapa Quente, no Caramujo, permanecem abrigados numa igreja do bairro. A comunidade sofreu deslizamentos em diversos pontos e registrou uma morte. "Foi um desespero no dia que o morro desabou.

Nós mesmos tivemos que resgatar as pessoas debaixo da lama. Não veio bombeiro nem Defesa Civil. As equipes só estiveram aqui depois de dois dias, para retirar o corpo de uma vizinha que morreu e liberar as pistas da RJ-104, tomadas pela lama. Mas não estiveram nas casas. Não temos laudo de interdição para pedir o aluguel social", diz Fábio Ribeiro, 35, que teme nova tragédia. "No topo do morro, tem uma rachadura de ponta a ponta. Estamos apavorados, se chover vai ser pior do que o Morro do Bumba".

De acordo com a Prefeitura de Niterói, equipes da Defesa Civil estiveram nas três comunidades e solicitaram que os moradores saíssem de suas casas. Sobre o aluguel social, a prefeitura informou que não é necessário o laudo de interdição para se cadastrar no programa. Os moradores de áreas de risco devem procurar os postos de atendimento da prefeitura e realizar o cadastro.