Leblon elege o seu melhor chope

Carolina Monteiro, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Uma das polêmicas preferidas entre os frequentadores de bares é a qualidade do chope e, por tabela, onde é servido o melhor com ou sem colarinho da cidade. Certamente cansado de ouvir acalorados debates sobre o tema, Luiz Aviz, morador do bairro do Leblon, mantém em seu site, Amoleblon, uma enquete em que pergunta onde é servido o melhor chope do bairro? Entre os estabelecimentos mais votados estão o tradicional Bracarense, que fica na Rua José Linhares, o Clipper, na esquina da Rua Carlos Góis com a Avenida Ataulfo de Paiva, e o Chico e Alaíde, do garçom Chico e da cozinheira Alaíde, ambos ex-Bracarense.

Mas, afinal, por que esses bares estão entre os preferidos no bairro? Qual é o segredo de um bom chope? Visitamos os três points para refrescar as ideias.

Em conversa com os chopeiros e clientes, a preocupação com a temperatura da bebida é unanimidade. Não pode faltar gelo na serpentina.

Para garantir que o chope vai ficar bem gelado, a tulipa também fica no gelo ensina Nilson Duarte, que trabalha no no Chico e Alaíde.

Outra dica é sempre usar um chope de qualidade.

É importante manter também a rotatividade do barril diz o gerente do Bracarense, Jurandyr Andro.

Para evitar furadas na hora de tomar uma gelada, todos os estabelecimentos têm a atenção redobrada quando o assunto é higiene. Copos e serpentina são constantemente limpos. Já o tipo de copo e o tamanho do colarinho mudam de acordo com o gosto do consumidor.

O cliente é quem manda. O chopeiro tenta fazer o máximo que pode garante Dirceu Esteves, apelidado de Didi, responsável por tirar o chope no Bracarense.

Mas o grande segredo do bom chope é a forma como é tirado.

Tem que saber tirar. Mas é segredo, não pode contar, né? esconde Túlio, chopeiro do Clipper há 16 anos.

Mas uma característica une os três bares e parece não poder faltar a nenhum estabelecimento que se proponha a fisgar a clientela: o clima informal e relaxado.

Qualidade e simplicidade. Não precisa de mais nada para fazer sucesso afirma a advogada Helena Menezes, frequentadora assídua do Chico e Alaíde.

'Chope também é bom no frio'

O poeta, escritor e letrista Mauro Santa Cecília, que escreve a coluna De Bar em Bar na revista Programa aqui do JB, conversou com a reportagem sobre chope e o que o difere da cerveja. Bom de copo e experiente, Mauro sabe o que diz:

Na sua opinião, onde estão os melhores chopes do Leblon?

Jobi, Bracarense. Chico e Alaíde, eu incluiria também.

E fora do Leblon?

No Bar Luiz (Centro), Adega Pérola (Copacabana) e Paulette (Praça da Bandeira).

Qual é o bom chope?

Aquele bem tirado. Não saberia dizer qual é o truque pra tirá-lo. Mas, como consumidor, sei a diferença entre um chope bem tirado, na pressão e com a quantidade certa de espuma, uns dois dedos.

Qual a diferença entre o chope e a cerveja?

O chope é mais leve. A cerveja é mais encorpada, mais uniformizada: abriu a tampa todas têm o mesmo padrão. Já o chope depende de quem tá ali no barril.

Quais as vantagens de um e outro?

Não é questão de vantagem mas de preferência mesmo.

O chope combina mais com os dias de verão?

Combina mais com os dias de sol e calor para os amadores. Para quem gosta de beber, não tem estação do ano. No inverno, combina também o chope ou a cerveja escura.

Crias do Bracarense mostram que aprenderam

O chope não é o único atrativo do bar Chico e Alaíde. O carisma do ex-garçom que dá nome ao lugar conquista todos que entram em seu novo boteco, inaugurado há pouco mais de um ano em parceria com a amiga e também ex-funcionária do Bracarense Alaíde, com quem trabalha há quase 20 anos.

O Chico une elegância e gentileza. Esse é o segredo do sucesso daqui elogia a cliente Maria de Miranda Santos, enquanto saboreia um chope gelado.

Os elogios a Chico nasceram na época em que ele ainda era garçom no Bracarense. O seu sorriso aberto e a sua simpatia são um grande diferencial do Botequim Chico e Alaíde.

E, para o sabor ficar completo, o chope sempre é acompanhado de um quitute. Como não poderia deixar de ser, aqui ele fica por conta do bolinho da cozinheira mineira Alaíde, seja o de camarão com aipim e catupiry ou a fritada de carne seca. Ambos deixam um gostinho de quero mais nos clientes.

É difícil você encontrar uma cozinheira de mão cheia como a Alaíde garante o professor de desenho industrial Roberto Eppinghaus, que conhece a dupla desde os tempos do Bracarense. Fiquei até nervoso para saber quando seria a inauguração do botequim.

A badalação e os muitos elogios espontâneos não diminuem a humildade do ex-garçom. Chico, um dos responsáveis por tirar o chope no bar, vai, inclusive, representar o botequim em outubro, em um concurso patrocinado por uma marca de cerveja. Modesto, ele reconhece:

Se não tiver um bom salgado ou um bom chope, não vem ninguém.