Hospital só atende pacientes com risco de morte em Bonsucesso

Portal Terra

RIO - Pacientes que precisam de socorro médico na Zona Norte enfrentam sérias dificuldades para ser atendidos. Duas grandes emergências da região (o Hospital Geral de Bonsucesso (HGB), da rede federal, e o municipal Salgado Filho, no Méier) estão com atendimento limitado.

No HGB, "o atendimento está restrito a pacientes com risco de morte. A emergência está sem atendimento", segundo cartaz fixado no balcão da emergência. No Salgado Filho, outro cartaz anuncia a falta de nove especialidades, incluindo neurologia e oftalmologia.

Sexta-feira, a técnica de enfermagem Zélia Maria Silveira, 51 anos, que está internada com suspeita de aneurisma no Hospital Souza Aguiar, no Centro, não foi sequer examinada no HGB. Seguiu para o Salgado Filho, e recebeu apenas orientação para procurar serviço de fisioterapia ocular.

"No HGB, a funcionária disse que não tinha médico. A Zélia não foi sequer avaliada. Na mesma hora, uma família gritava querendo atendimento para outra senhora que passava muito mal e ninguém socorria. Resolvi ir no serviço social, mas a assistente disse que não sabia nada sobre o funcionamento do hospital", contou a assistente social Lílian Dutra, que acompanhou Zélia em sua peregrinação por socorro.

Segundo Lílian, antes de ir ao HGB e ao Salgado Filho, Zélia passou por dois postos de saúde e pelo Hospital Souza Aguiar, onde ela só foi atendida e internada por intermédio de uma amiga, ao retornar lá na terça-feira.

Ontem, o problema se repetiu. Com dificuldades para andar devido a forte dor na coluna, a dona de casa Raimunda Vasconcelos, 36, não foi sequer avaliada no HGB. Thiago Batista, 3 anos, também não. "Ele está com muita febre, vomitando desde de manhã e a gente não consegue atendimento", disse o pai, Georlan Batista Cardoso.

No Salgado Filho, a falta de atendimento revoltou o pintor André Luis Bezerra da Silva, 36, que buscou atendimento terça-feira. "Estava andando e alguma coisa entrou no meu olho. Não conseguia enxergar. Achei um absurdo um hospital do porte do Salgado Filho não ter nove especialidades." Em nota, a direção do Hospital Municipal Salgado Filho diz que "o plantão de 20 de abril estava completo com atendimento de oftalmologia" e que "irá apurar os responsáveis pela colocação do informativo e tomará medidas cabíveis".

Direção alega examinar antes de recusar paciente

Na porta do HGB, a cena se repete dezenas de vezes: pacientes chegam e saem sem atendimento. Mas, segundo a direção, ontem nove médicos (três pediatras, três clínicos, um ortopedista e dois cirurgiões) estavam de plantão. Em nota, a unidade afirmou que fez, das 7h às 14h, "61 atendimentos considerados prioritários dentro do perfil da emergência (focado nos casos mais graves, prioritariamente de risco de morte)".

O hospital diz que casos menos graves são encaminhados para outras unidades, "mediante avaliação de profissional de saúde", o que não está sendo feito.