Igreja pede proteção contra gangue que pichou o Cristo

Flávio Dilascio, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Mesmo com a identificação anunciada nesta terça-feira pela polícia de dois jovens que teriam pichado o Cristo Redentor cujos apelidos já haviam sido revelados pelo Jornal do Brasil, em primeira mão, no último sábado o padre Marcelino Modelski, pároco da igreja de São Jorge, em Quintino (Zona Norte) teme que a capela seja pichada, como ameaçou na mesma reportagem do JB um dos integrantes da gangue que vandalizou a estátua no Corcovado. Na semana passada, um membro da gangue Dopados e Perversos (DP) identificado como Mazinho disse que a igreja poderia ser o próximo alvo, por causa da proximidade da data em comemoração ao santo, dia 23 de abril.

Os pichadores do Cristo Zabo, Aids e Lube estão sendo procurados pela polícia, que já levantou as identidades de Zabo (Edmar Batista de Carvalho) e Aids (Paulo Souza dos Santos). Nesta quarta-feira, Paulo afirmou que iria se entregar e disse estar arrependido pelo ato.

Alheio a penitência do vândalo, o pároco da igreja de São Jorge demonstra toda sua preocupação com o que possa vir a acontecer.

Soube pelo jornal da intenção dos pichadores em atacarem a minha paróquia. O poder público tem que tomar consciência disso e agir em cima dessas informações, pois são pessoas desqualificadas e terroristas afirmou o padre Marcelino Modelski, que está há oito anos à frente da igreja.

Pedido ao prefeito

Gaúcho de Nova Prata, o pároco faz um apelo à autoridade máxima do município.

Se o prefeito Eduardo Paes vier aqui em alguma das festividades de São Jorge, cobrarei dele atenção com o nosso patrimônio.

Segundo o padre Modelski, as pichações poderão ocorrer depois do dia festivo, inclusive nas próximas semanas.

Não sou ingênuo de achar que eles atacarão hoje ou nos próximos dias, quando a igreja estará cheia de gente. Mesmo porque a polícia estará aqui, patrulhando todos os eventos. A preocupação vem a partir da próxima semana, quando não haverá tanto movimento.

Choque de ordem

A Secretaria Especial da Ordem Pública (Seop) anunciou que fará uma operação choque de ordem durante as festividades de São Jorge, que ocorrerão em Quintino e no Centro. O foco da ação será o combate ao comércio ambulante sem autorização. Também é uma das metas da secretaria aumentar a sensação de segurança nos fiéis. Questionada pelo JB a respeito da possibilidade de intervenções em caso de flagrante de pichações, a Seop informou que tal procedimento cabe apenas à polícia, embora haja conversas entre ambas as partes para que a secretaria passe a fazer operações que visem coibir a depredação do patrimônio público.

Pouco público na reabertura do Cristo Redentor

Depois de 15 dias de interdição por conta dos danos causados pelas fortes chuvas período em que vândalos aproveitaram para pichá-lo o Cristo Redentor foi reaberto à visitação nesta quarta-feira. O movimento, contudo, foi pequeno, levando-se em conta que a reabertura ocorreu em um feriado. Até o meio-dia, apenas 250 pessoas tinham passado pelo local, número considerado muito baixo.

A pouca frequência pode ser explicada pelo fato de o acesso, por enquanto, só ser permitido a veículos de turismo e táxis. Há ainda a possibilidade de o monumento voltar a ser fechado, caso chova forte. Responsável por levar boa quantidade de turistas ao Cristo, o bondinho do Corcovado continua interditado sem previsão de abertura.

As chuvas e a pichação atrasaram as obras de restauração do Cristo que estavam em andamento e só foram retomadas nesta quarta. A previsão é que o monumento fique pronto em 90 dias, embora este prazo possa ser estendido.

Só nas vias de acesso ao Parque Nacional da Tijuca, houve 283 deslizamentos. Ainda estão interditadas a Estrada das Paineiras, além das estradas do Sumaré, Dona Castorina, Vista Chinesa e Redentor.