Copacabana vira um oásis de paz

Marcelo Fernandes, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Moradores de Copacabana têm motivos para comemorar quando o assunto é segurança. Segundo estudo divulgado nesta segunda-feira pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), não foram registrados homicídios, latrocínios, roubos de veículos ou a residências no bairro no mês de fevereiro.

Entre os delitos tratados como prioridades pela Secretaria de Segurança Pública (Seseg), foram registrados apenas roubos a transeuntes (83) no período. A área analisada também abrange o Leme e é patrulhada pelo 19º BPM. As delegacias circunscritas, 12ª e 13ª DP, também não registraram autos de resistência (quando o bandido é morto ao reagir à ordem de prisão).

Porém, nem todos acreditam na frieza dos números. Para a presidente da Associação de Amigos dos Postos 2, 3, 4 e 5, Cristina Reis, os dados podem ter sido modificados para o recebimento de gratificações pagas pelo governo do estado.

Achamos que esse número não procede. Será que, por trás disso, não existe a questão do bônus pago pelo governo pela diminuição de crimes? Principalmente em fevereiro, que é época de Carnaval, o fato de não ter nenhum registro é muito estranho questiona Cristina.

Segundo o tenente-coronel Henrique de Lima Castro, chefe do setor de Comunicação Social da Polícia Militar, o questionamento da líder comunitária é leviano.

Ela fez um comentário sem nenhum dado técnico. Alguns crimes realmente não são registrados, mas é impossível mascarar um homicídio. As metas são feitas também para que as polícias, tanto a Civil como a Militar, tenham um foco em crimes mais graves afirmou o oficial, lembrando que as UPPs desarmaram traficantes da região, que não ostentam mais armas de guerra nas cinco comunidades beneficiadas.

Para a representante comercial Jamile Elias, moradora do Posto 4, mesmo com índices baixos a sensação de medo permanece.

Depois que anunciaram a Copa e a Olimpíada, notei que o policiamento aumentou, e até os imóveis se valorizaram. Mas sempre vou me sentir insegura na cidade. Isso é algo que tomou contado do carioca comenta Jamile, que conta ter sido assaltada 13 vezes no Rio, seis delas em Copacabana.

Já a presidente da Associação de Moradores e Amigos de Copacabana (Amacopa), Myriam Barbosa, discorda e afirma ter reparado numa melhora no bairro.

Há bastante tempo que Copacabana está mais segura. O que existe é um exagero da imprensa com qualquer caso que aconteça, porque a região repercute. Temos dois ótimos delegados e um comandante da PM eficiente. Os poucos problemas são alguns pivetes que assaltam, população de rua e flanelinhas comenta.

Estudo mostra diminuição

de outros crimes no estado

Nos números de fevereiro de 2010 divulgados nesta segunda-feira pelo ISP (Instituto de Segurança Pública), houve uma queda nas ocorrências dos quatro indicadores estratégicos estabelecidos pelo governo do estado em relação ao mesmo mês de 2009. Os indicadores são : homicídio (menos 83 vítimas), latrocínio (menos 13 vítimas), roubo de veículo (menos 628 casos) e roubo de rua (menos 1.237 casos).

O ISP destacou o número de homicídios dolosos, que em fevereiro foram os menores para o segundo mês do ano desde que começaram os levantamentos, iniciados em 1991.

Para este semestre, as metas da Secretaria de Segurança Pública são diminuir em 6,33% os homicídios dolosos, em 4,37% os roubo de veículo e em 4,22 os roubos a transeuntes, além de manter o número de latrocínios estável.

Para o sociólogo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro Ignácio Cano, o estudo não mostra dados consistentes, por ter como base uma amostragem pequena de tempo.

Em muito tempo, a única grande novidade (em segurança pública) foram as UPPs, que são poucas para que tenham algum impacto no Estado como um todo. É importante que a criminalidade letal diminua, mas os governos também deveriam se focar na corrupção, que é o grande câncer e está por trás da maior parte da violência, com pouco investimento para combatê-la destaca.

Em Volta Redonda, jovem é assassinado por traficantes

Na noite de domingo, um rapaz de 19 anos foi assassinado, segundo vizinhos, por não ter respeitado o toque de recolher de bandidos que comandam o tráfico de entorpecentes no bairro São Luiz, município de Volta Redonda (Sul Fluminense).

A vítima, identificada como Ademílson da Silva, de 19 anos, não teria conhecimento de que quatro homens em suas motos proibiram os moradores de sair de casa por causa da morte de Iuri Gomes de Carvalho, de 17 anos.

Os moradores do bairro também disseram que existe uma guerra entre bandidos por bocas-de-fumo. De acordo com o tenente coronel Licínio Fróes, comandante do 28º BPM (Volta Redonda), os responsáveis por ela seriam bandidos que deixaram a prisão após receberem o indulto de Natal.

Existe uma rivalidade entre alguns bandidos, mas não chega a ser uma guerra. São problemas antigos, de bandidos que foram soltos recentemente, mas não têm o tamanho dos conflitos no Rio. Aqui em Volta Redonda não existe nem bandido com fuzil exemplifica, negando a migração de traficantes do Rio para sua cidade em razão das UPPs.

São velhos conhecidos nossos que não vão ficar soltos muito tempo promete.

Para o tenente-coronel Henrique de Castro, da comunicação da PM, a violência na capital do estado se reflete no medo dos moradores de Volta Redonda.

A guerra de facções não chegou lá, e os números de crimes na cidade são extremamente baixos ressaltou.