Tragédia continua: morro desaba em Niterói

Thiago Feres e Paulo Márcio Vaz, Jornal do Brasil

RIO - Um deslizamento de grandes proporções no Morro do Bumba, em Niterói, quarta-feira à noite, soterrou dezenas de casas, causando uma nova tragédia que pode elevar em muito o total de vítimas da forte e insistente chuva que cai na Região Metropolitana do Rio desde o fim da tarde de segunda-feira.

Até o fechamento desta edição, a prefeitura havia confirmado três mortes, mas a estimativa é que o número seja bem maior, entre elas dezenas de crianças que dormiam numa creche, considerada um lugar mais seguro pelos pais, desde o início dos temporais.

As primeiras informações davam conta de que 20 a 40 casas estavam debaixo dos escombros. Mas moradores da área afirmavam que o local tinha cerca de 70 residências. Uma enorme quantidade de terra dava a impressão de que praticamente boa parte do morro, à frente da rua Viçoso Jardim, no bairro Cubango, havia desabado.

Quinze sobreviventes foram resgatados pelos próprios moradores, segundo o comandante geral do Corpo de Bombeiros, Pedro Machado. Entre eles, oito eram crianças que, segundo a corporação, estariam em uma creche que funciona na comunidade. Os dois mortos também eram funcionários da creche. O número inicial de feridos divulgado foi de 21.

Ao chegar ao local, o secretário estadual de Saúde e Defesa Civil, Sérgio Côrtes, afirmou se tratar, sem dúvida, do pior deslizamento ocorrido desde a segunda-feira. O cenário encontrado era desolador.

Mais de 200 bombeiros, de todos os quartéis de Niterói, trabalhavam no local, com a ajuda também de homens da Polícia Militar e da Defesa Civil. A Ampla, empresa responsável pelo fornecimento de energia no município, também foi acionada. As buscas eram dificultadas pela escuridão. Toda a região estava sem luz. Um helicóptero com holofotes iluminava o resgate, que contava com quatro retroescavadeiras.

O soterramento mobilizou dezenas de moradores da região. Ao saberem do desabamento, pessoas que já estavam desabrigadas pelas chuvas, rumaram para o local da tragédia, com pás e baldes e, na falta de equipamento, cavaram com as próprias mãos.

Um sobrevivente, Leandro Oliveira, de 27 anos, contava os momentos de pânico e chorava o desaparecimento de sua família. Ele estava em frente à sua casa, ao lado da mãe, de três primas, do tio e de sua filha, quando ouviu pessoas gritando no morro.

Só deu tempo de pegar a minha filha pela mão e descer o morro correndo com ela disse Leandro, com os olhos cheios d'água, ao lamentar o soterramento do restante da família.

Antes de dar lugar à comunidade, o Morro do Bumba funcionava como um lixão. O local já havia sido atingido por um deslizamento na terça-feira. Segundo moradores, escombros de casas destruídas, no alto do morro, passaram a represar água da chuva que continuou a cair durante os últimos dois dias. Os moradores afirmaram ter alertado a prefeitura sobre o problema e a possibilidade de rompimento da água represada nos escombros. Ainda segundo estes moradores, funcionários da prefeitura estiveram quarta-feira no morro, condenaram a habitação de certas casas, mas não agiram no sentido de drenar a água que se acumulava no topo do morro.