Mortos podem passar de 300

Gisela Magalhães, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Muitos familiares e amigos das vítimas do deslizamento de terra ocorrido nesta quarta-feira à noite no Morro do Bumba, em Viçoso Jardim, Zona Norte de Niterói, acompanharam ansiosamente o trabalho de buscas dos bombeiros e da Defesa Civil durante todo o dia desta quinta-feira. Até o às 20h de quinta-feira 10 corpos haviam sido retirados dos escombros. Segundo a Ampla, na área devastada, de cerca de 600 metros, existiam 94 residências cadastradas para receber eletricidade, o que permite estimar um número de mortos que pode passar de 300. Além disso, foram atingidas uma creche, uma igreja e uma pizzaria, segundo o secretário de Saúde e Defesa Civil do estado, Sérgio Côrtes, que acompanhou o trabalho de resgate na manhã de quinta-feira.

Entre os corpos resgatados, cinco são de mulheres, quatro de homens e um de criança. Desde o início das chuvas, o número de mortos em Niterói chega a 87. Logo após a tragédia, os próprios parentes e moradores das redondezas conseguiram retirar 56 pessoas com vida dos escombros. Elas foram levadas para hospitais da região ou para abrigos improvisados em escolas próximas ao local.

Moradores disseram também que esse não teria sido o primeiro deslizamento de terra na área. Relatos indicam que, mais cedo, teria ocorrido o primeiro deslizamento, de proporção bem menor e que bombeiros estariam trabalhando no local quando foram deslocados para outro chamado. De acordo com a voluntária Eliana Soares, de 53 anos e moradora de Niterói há 27 anos, ninguém esperava o segundo desabamento e uma retroescavadeira que era usada numa obra também está soterrada.

Uma das sobreviventes, Sabrina de Jesus, de 26 anos, aguardava o resgate da família. Sua mãe, filho e avô estão desaparecidos. Ela relatou ter ouvido um barulho muito forte vindo do alto da encosta e saído de casa imediatamente.

O guarda municipal Abílio José Monteiro de Carvalho, de 47 anos, morador de Maricá, aguardava o resgate de três parentes. Sem dormir, ele disse que o pai, morador de uma rua vizinha, havia ido à casa da filha mais velha, no morro, depois de ter sua casa alagada. Carvalho torcia para reencontrar com vida, além do pai e da irmã, um sobrinho, de 7 anos. Segundo ele, outros dois parentes conseguiram se salvar a irmã mais nova e o sobrinho, de apenas 7 meses.

Parente passa mal

Adriano Gonçalves Faria passou mal ao acompanhar os trabalhos de resgate no início da tarde de quarta-feira e foi atendido pelos médicos do Corpo de Bombeiros. A mulher, a sogra e uma enteada ainda estavam desaparecidas. Na hora da tragédia, Adriano conseguiu salvar duas filhas, ficou ferido e foi atendido em um hospital da região.

Estavam trabalhando no local cerca de 300 pessoas, sendo 80 bombeiros, 40 da Força Nacional, 50 policiais militares, além de três máquinas retroescavadeiras, uma pá mecânica e oito operários.