Desabrigados do Morro dos Prazeres são cadastrados para novas moradias

Isabela Vieira, Agência Brasil

RIO DE JANEIRO - Os moradores do Morro dos Prazeres, em Santa Tereza, no centro do Rio, começam a ser cadastrados pela prefeitura para participar de programas de habitação popular. Com os desabamentos provocados pelas últimas chuvas, a Defesa Civil interditou centenas de casas. Os moradores removidos estão na residência de parentes ou em abrigos.

O cadastramento é feito em dois pontos do morro. Num deles, a recepção de uma pequena igreja da comunidade, a dona-de-casa Ana Paula Jardim, de 23 anos, esteve com os três filhos em busca de orientação. A casa onde morava fica ao lado do principal desabamento e foi interditada pela Defesa Civil.

"Até agora há pouco não sabia o que fazer. Tinham me tirado de casa e me dado um papel. Como eu não sei ler ... Estou só na casa da minha comadre. Agora, o pessoal da prefeitura explicou e estou indo na igreja levar meus documentos", afirmou.

Antes de fazer o cadastro para os programas habitacionais, as famílias devem apresentar um documento da Defesa Civil, que atesta a interdição da residência. Os técnicos permanecem realizando vistorias no morro. A previsão é de que o trabalho termine até o fim da semana. Desde quarta-feira (7), cerca de 60 pessoas foram cadastradas.

Na igreja também funciona um serviço de assistência social. As equipes da prefeitura emitem careira de trabalho e informam sobre os serviços públicos que as pessoas devem procurar para a emissão de outros documentos. Elas também orientam sobre medidas de promoção a saúde e serviços educacionais.

Durante visita à comunidade, o secretário municipal de Assistência Social, Fernando William, disse que o objetivo é prestar um atendimento preliminar. Explicou que é um serviço emergencial e ainda não tem relação com o projeto de remoção da comunidade, anunciada ontem (7) pelo prefeito Eduardo Paes. O prefeito afirmou que a área do Morro dos Prazeres onde estão cerca de 2,5 mil famílias está condenada e a realização de obras de contenção é inviável.

Embora muitas famílias estejam se reorganizando, a comoção ainda toma conta da comunidade. Hoje foram enterrados os primeiros corpos encontrados no local, enquanto o Corpo de Bombeiros trabalhava para encontrar o restante das vítimas soterradas. Pelo menos 18 pessoas morreram e 14 ainda estão desaparecidas no desmoronamento de seis casas no morro.

Edição: Aécio Amado