Chuva no Rio este ano mata mais que acidentes da TAM ou AF

Portal Terra

RIO - As chuvas que provocaram deslizamentos de terra e o desabamento de imóveis nos quatro primeiros meses deste ano no Rio de Janeiro já mataram mais pessoas do que nos acidentes aéreos da TAM, em 17 de julho de 2007, ou da Air France, em 31 de maio de 2009. No primeiro, morreram 199 pessoas, já no segundo, o número chegou a 228. De acordo com levantamento da Defesa Civil, atualizado às 17h desta quinta-feira, 249 pessoas morreram desde o dia 31 de janeiro de 2009 até o dia 7 de abril.

A tragédia começou na madrugada do réveillon, quando deslizamentos de terra causaram 53 mortes em Angra dos Reis (RJ). No centro da cidade, uma encosta cedeu e deslizou por cima de casas no Morro da Carioca, matando 21 pessoas. Na Ilha Grande, o deslizamento por conta das chuvas durante a madrugada encobriu a pousada de luxo Sankay, lotada de turistas, e mais sete casas, na enseada do Bananal. No local, morreram 32 pessoas.

Outras catástrofes naturais ocorreram durante os meses de fevereiro e março no Estado, mas nenhuma teve tantas mortes quanto as provocadas pelas chuvas que castigam o Rio desde a última segunda-feira. Desde o dia 5 de abril, 171 pessoas morreram, de acordo com registro do Corpo de Bombeiros até as 17h desta quinta-feira. Outras 161 pessoas ficaram feridas. Na noite da última quarta-feira, um deslizamento no morro do Bumba, em Viçoso Jardim, zona norte de Niterói, deixou pelo menos dez vítimas fatais e dezenas de residências desabadas. As equipes de resgate retiraram com vida do local 21 pessoas.

O número de mortos em quatro dias no Estado superou as vítimas fatais nos dois últimos acidentes aéreos no Brasil. O voo JJ 3054 da TAM saiu do aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre (RS), no dia 17 de julho de 2007, e iria pousar no aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo. A aeronave atravessou a pista e colidiu contra o prédio da TAM Express, após passar a poucos metros dos carros que circulavam pela avenida Washington Luís, matando 199 pessoas e deixando ao menos 15 feridos.

Já o voo AF 447 da Air France levava 216 passageiros e 12 tripulantes. O Airbus A330 saiu do Rio de Janeiro no domingo, dia 31 de maio, às 19h (horário de Brasília), e deveria chegar ao aeroporto Roissy - Charles de Gaulle de Paris no dia 1º às 11h10 locais (6h10 de Brasília). Às 22h33 o vôo fez o último contato via rádio com o Centro de Controle de Área Atlântico (Cindacta III). Às 22h48, a aeronave saiu da cobertura radar do Cindacta. Antes disso, no entanto, a aeronave voava normalmente a 35 mil pés (11 km) de altitude. A Air France informou que o Airbus entrou em uma zona de tempestade às 2h GMT (23h de Brasília) e enviou uma mensagem automática de falha no circuito elétrico às 2h14 GMT (23h14 de Brasília). A equipe de resgate da FAB foi acionada às 2h30 (horário de Brasília).

Passados dez meses do acidente, as autoridades aeroportuárias francesas ainda buscam entender as causas do acidente. No final de março, começou a terceira operação para encontrar as caixas pretas da aeronave no fundo do Oceano Atlântico, a 730 milhas náuticas de Recife. A missão deverá durar 32 dias e custará 19 milhões de euros (R$ 45 milhões).

Estragos e mortes

A chuva que castiga o Rio de Janeiro desde segunda-feira deixou pelo menos 170 mortos e 150 feridos, alagou ruas, causou deslizamentos e destruição no Estado. Segundo o Instituto de Geotécnica do Município do Rio (Geo-Rio), desde o início do mês foi registrado índice pluviométrico entre 200 mm e 400 mm (dependendo da localidade). É o maior índice de chuvas na cidade desde que começou a medição, há mais de 40 anos. A média prevista para o mês de abril é de 91mm.