Chuva deixam 3 mil pessoas desabrigadas em Niterói

Portal Terra

NITERÓI - De acordo com a prefeitura de Niterói, cerca de 3 mil pessoas estão desabrigadas e foram deslocadas para escolas municipais. A cidade é a mais afetada pelas chuvas que atingem o Estado desde o começo da semana e registrou, até o fim da tarde de hoje, 98 mortes. Na noite de quarta-feira, um deslizamento sobre aproximadamente 50 casas no Morro do Bumba, em Viçoso Jardim, na zona norte do município, deixou ao menos 12 mortos e 21 feridos.

O subcomandante do Corpo de Bombeiros, coronel José Paulo Miranda, afirmou nesta quinta-feira que será difícil resgatar alguém com vida. "Nós, bombeiros militares, dizemos sempre que trabalhamos pensando que vamos encontrar pessoas vivas. Nessa situação, nesse tipo de evento, é muito difícil isso. É um evento muito rápido, não há a menor condição das pessoas saírem com facilidade e há o problema do soterramento. Nós temos muito pouca esperança, a dificuldade é muito grande", afirmou Miranda, que coordena pessoalmente as operações no local.

Durante a manhã, mais corpos foram encontrados, elevando para dez o número oficial de vítimas até o momento. Segundo estimativas dos Bombeiros, existiam cerca de 50 casas na área atingida, o que poderia aumentar para 200 o número de pessoas afetadas pelo deslizamento. Os trabalhos de resgate são dificultados por conta do solo, extremamente frágil, e pela chuva, que cai em pancadas repentinas, apesar do tempo estar mais seco, chegando a registrar períodos de sol.

A secretária estadual do Ambiente, Marilene Ramos, esteve no local e reconheceu que a área era instável, por conta do lixão, no topo do morro. Ela informou que serão feitas obras de contenção e drenagem no local, que será interditado totalmente para novas habitações. "As casas que estão próximas já foram interditadas e não serão mais habitáveis. Ainda existe risco, pois há barrancos enormes que estão totalmente abertos. A área é de risco e nunca poderia ter sido habitada", afirmou Marilene.

Estragos e mortes

A chuva que castiga o Rio de Janeiro desde segunda-feira deixou pelo menos 170 mortos e 150 feridos, alagou ruas, causou deslizamentos e destruição no Estado. Segundo o Instituto de Geotécnica do Município do Rio (Geo-Rio), desde o início do mês foi registrado índice pluviométrico entre 200 mm e 400 mm (dependendo da localidade). É o maior índice de chuvas na cidade desde que começou a medição, há mais de 40 anos. A média prevista para o mês de abril é de 91mm.