Bombeiros: é difícil encontrar mais sobreviventes em Niterói

Agência Brasil

RIO - O subcomandante do Corpo de Bombeiros, coronel José Paulo Miranda, afirmou nesta quinta-feira que será difícil resgatar alguém com vida na tragédia do Morro do Bumba, em Niterói, onde uma avalanche soterrou dezenas de casas na noite de ontem.

"Nós, bombeiros militares, dizemos sempre que trabalhamos pensando que vamos encontrar pessoas vivas. Nessa situação, nesse tipo de evento, é muito difícil isso. É um evento muito rápido, não há a menor condição das pessoas saírem com facilidade e há o problema do soterramento. Nós temos muito pouca esperança, a dificuldade é muito grande", afirmou Miranda, que coordena pessoalmente as operações no local.

Durante a manhã, mais corpos foram encontrados, elevando para dez o número oficial de vítimas até o momento. Segundo estimativas dos Bombeiros, existiam cerca de 50 casas na área atingida, o que poderia aumentar para 200 o número de pessoas afetadas pelo deslizamento. Os trabalhos de resgate são dificultados por conta do solo, extremamente frágil, e pela chuva, que cai em pancadas repentinas, apesar do tempo estar mais seco, chegando a registrar períodos de sol.

A secretária estadual do Ambiente, Marilene Ramos, esteve no local e reconheceu que a área era instável, por conta do lixão, no topo do morro. Ela informou que serão feitas obras de contenção e drenagem no local, que será interditado totalmente para novas habitações.

"As casas que estão próximas já foram interditadas e não serão mais habitáveis. Ainda existe risco, pois há barrancos enormes que estão totalmente abertos. A área é de risco e nunca poderia ter sido habitada", afirmou Marilene.

Estragos e mortes

A chuva que castiga o Rio de Janeiro desde segunda-feira deixou pelo menos 150 mortos e 150 feridos, alagou ruas, causou deslizamentos e destruição no Estado. Segundo o Instituto de Geotécnica do Município do Rio (Geo-Rio), desde o início do mês foi registrado índice pluviométrico entre 200 mm e 400 mm (dependendo da localidade). É o maior índice de chuvas na cidade desde que começou a medição, há mais de 40 anos. A média prevista para o mês de abril é de 91mm.