Sobe para 102 número de mortos por causa da chuva no Rio

Portal Terra

RIO - Já chega a 102 o número de mortos no estado do Rio em consequência das fortes chuvas, segundo o Corpo de Bombeiros. Pelo menos 53 pessoas morreram em Niterói, 37 na cidade do Rio de Janeiro, nove em São Gonçalo, uma em Nilópolis, uma em Paracambi e uma em Petrópolis. Outras 102 pessoas ficaram feridas.

O prefeito da capital, Eduardo Paes, afirmou que a cidade tem 1.410 pessoas desabrigadas e desalojadas. De acordo com ele, todos os mortos foram vitimados por deslizamentos provocados pelo encharcamento das encostas.

A população foi orientada a permanecer em casa e deixar áreas de risco, onde existem 10 mil residências. Foram registrados pelo menos 180 deslizamentos.

No início da noite, a prefeitura cancelou o estado de alerta na cidade em função da diminuição da intensidade das chuvas, mas mantém o estágio de atenção. - Há pessoas soterradas e desaparecidas. O Corpo de Bombeiros está revirando terras e escombros em muitos locais e o trabalho é árduo. Como voltou a chover, estamos abrindo nossas frentes de trabalho - disse o sargento Lúcio, do Corpo de Bombeiros.

No Morro do Borel, na Tijuca, Ana Marcele Barbosa, de 5 meses, uma jovem de 16 anos e Francisca Bezerra de Souza, 60 anos, morreram soterradas no desabamento da casa em que estavam. Outras 12 pessoas ficaram feridas.

No Morro dos Macacos, em Vila Isabel, foram cinco vítimas fatais, todas de uma mesma família que morava na Rua Senador Nabuco. Um deslizamento de terra causou mais cinco óbitos no Morro do Andaraí e outros três no Morro do Turano, ambos na Zona Norte. A tragédia também fez uma vítima no bairro de Jacarepaguá, na Zona Oeste.

- A situação é de caos. Todas as vias estão interrompidas e é um risco enorme para quem tentar sair de casa. Não saiam de casa, não levem seu filho à escola até que possamos avaliar melhor a situação e alterar a orientação. Ainda chove muito. Se preservem e tomem muito cuidado, principalmente as pessoas que moram em áreas de risco. A situação é muito crítica - disse o prefeito.

Paes afirmou que em menos de 24 horas choveu em média 288 mm na cidade. - É a maior chuva das grandes tragédias da história do Rio de Janeiro - disse. De acordo com a Climatempo, num período de 12 horas entre segunda e terça-feira choveu o que estava previsto para todo o mês de abril, que é cerca de 140 mm.

O Serviço de Meteorologia do Rio de Janeiro registrou que o índice é o maior da cidade desde que iniciou a medição, há mais de 40 anos. Mas os resultados oficiais do índice pluviométrico, realizados pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), ainda não foram divulgados.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em visita ao Rio de Janeiro, cancelou a agenda prevista ao Complexo do Alemão, onde inauguraria obras do Programa de Aceleração do Crescimento na comunidade. - As enchentes atingem sempre as pessoas que moram em locais pobres, em locais inadequados - disse Lula a jornalistas no Rio, antes de participar de evento na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

- Temos que esperar passar a chuva para cuidar das pessoas - acrescentou o presidente, que ofereceu ajuda por telefone ao prefeito Eduardo Paes e ao governador do Rio, Sérgio Cabral.

Cabral decretou luto oficial de três dias pelas vítimas dos temporais. - O mais importante agora é evitar o mal maior, que é a perda de vidas. Quem vive em locais de risco, deve procurar abrigo em lugares seguros - disse.

Na capital fluminense, as aulas foram canceladas nesta terça e na quarta. Paes anunciou que as escolas municipais não funcionarão e pediu que as unidades particulares de ensino sigam o exemplo, que também foi adotado pela rede estadual.